Pulo do Lobo

segunda-feira, novembro 14, 2005

Uma questão de confiança

Passeio pelas ruas e observo. Passeio pelas ruas e vão-me dizendo: «Porque sabe unir os portugueses». «Porque sabe ouvir os portugueses». «Porque acredita em Portugal». Eles, os outdoors, dizem-me estas coisas e eu lembro-me daquele final de tarde, por fins de Agosto, em que o dr. Mário Soares apresentou, com demorado discurso, a sua candidatura. Recordo-me do tom egotista e de uma massa de ideias que se espraiava por cima de dezassete mil caracteres. A mensagem, contudo, era bastante simples: Soares apercebeu-se de que o país estava em crise; vai daí, candidata-se, e acredita que a sua eleição, a confirmar-se, seria o factor aglutinante dos esforços nacionais e o elemento restaurador da confiança dos cidadãos, em si próprios e no país. Por outras palavras, na manhã seguinte à eleição do dr. Soares as pessoas acordariam diferentes e produziam mais e melhor; os mercados animavam e o investimento disparava; os artistas assinavam obras inspiradas; os estudantes aplicavam-se sem estrebuchar. Que a sala transbordante do Altis tenha engolido semelhante pataratice utópica, é algo natural. O país é que, ao que parece, vai torcendo o nariz.
Entendamo-nos: o Presidente da República como agente fomentador da confiança dos nacionais é, mesmo que discutível, perfeitamente plausível. Convinha é que o dr. Soares se mostrasse um nadinha mais diligente. Ou, para começar, um bocadinho mais construtivo.

4 Comments:

  • At 11:59 da tarde, Blogger Arrebenta said…

    Metadiálogos de Boliqueime (X)

    -- Ó, avó, por que é que o avô, quando era o homem mais importante de Portugal, andava sempre de um lado para o outro, num carro blindado?...

    (Silêncio. Maria, Modesta e Modista, põe o seu tom de Cinderela compungida, e avança)

    -- ... querido... Onde é que tu ouviste isso?...

    -- Vó..., foi a minha professora..., lá no colégio, que disse!...

    -- Será que essa professora não se cala nunca!!!???...

    -- Ó, vó, mas é verdade que o avô andava sempre num carro à prova de bala, e que mais nenhum político antes dele, tinha andado em Portugal num carro à prova de bala?...

    -- Meu fofinho, o vovô andava sempre num carro blindado, para evitar que o povo, sempre que o via, se agarrasse a ele, a dar muitos abraços, e beijinhos. Tu não querias que o avô, quando chegasse a casa, viesse cheio de dentadas, de chupões, de nódoas negras, com bocados a menos, enfim, aquelas provas todas que dão aqueles que realmente amam, pois não?...

    (cai o pano, por acaso, com bainhas feitas pela própria Maria)

    http://great-portuguese-disaster.blogspot.com/

     
  • At 1:19 da manhã, Anonymous Anónimo said…

    Será que ninguém arrebenta com este gajo? É por malta assim - curta de ideias - que este país não avança.

     
  • At 1:54 da manhã, Anonymous Anónimo said…

    Pois

     
  • At 9:13 da manhã, Blogger Pedro Sá said…

    Ai que a preocupação é tanta...

     

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