Pulo do Lobo

domingo, novembro 13, 2005

Questões "presidenciais"

A maioria das questões sobre as quais se “exige” que Cavaco debata, são subprodutos interessados da campanha dos seus adversários e não trariam nenhum esclarecimento suplementar. Discutir o calendário dos debates? São as televisões que o estão a fazer e, que se saiba, o desacordo entre elas não tem essencialmente a ver com as posições dos candidatos. Discutir o quê, as peripécias da campanha? Se era para haver “passeio na Avenida” ou não, se A ou B são “políticos profissionais”, se Soares traiu Alegre ou vice-versa, ou se há uma “deriva presidencialista” que nenhum candidato defende? Não conheço nenhuma questão substantiva que esteja em aberto, que justifique esta mistificação da acusação do “silêncio”.

Mas há outras questões sobre as quais se espera que haja debate: por exemplo, sobre a posição de Portugal no mundo, matéria “presidencial” por excelência. Como seja saber qual a posição dos candidatos sobre o sistema de alianças estratégicas de que Portugal faz parte, como o OTAN, quem o defende e quem o contesta? Aí está matéria em que Cavaco se distinguirá de imediato do tandem Soares-Alegre-Louçã-Jerónimo. Aqui se verá também como há maior sintonia entre Cavaco e a política governamental, do que acontece com Mário Soares, que se tornou um crítico feroz do sistema de alianças euro-atlântico tal como ele existe.

3 Comments:

  • At 11:00 da tarde, Blogger LS said…

    O seu último parágrafo é um bom exercício de "Wishful thinking". A verdade é que gostaria de ouvir Cavaco para além de generalidades como o desejo de uma campanha "digna" ou a constante nota de que não responderá a ataques pessoais (sendo que apenas ele os vê, ou ouve).
    Um candidato à Presidencia da República não pode refugiar-se na sua torre de marfim, como se o debate, as ideias, fossem coisas para os perigosos "profissionais" da política.

     
  • At 12:35 da manhã, Anonymous Pedro said…

    De facto o debate sobre o nosso papel na cena internacional deverá cavar ainda mais o fosso entre aquele que a olha com realismo e actualidade e as posições por vezes datadas dos restantes candidatos. E não LS, não é só Cavaco Silva que assiste aos ataques pessoais, que de facto existem.

     
  • At 4:13 da tarde, Blogger carlos said…

    O Pacheco Pereira está coberto de razão quando afirma que a questão (por excelência) a debater nestas eleições presidenciais é a posição de "Portugal no mundo".

    Ao contrário de JPP, contudo, penso que Manuel Alegre já leva várias voltas de avanço a Cavaco Silva nessa matéria.

     

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