Pulo do Lobo

segunda-feira, novembro 14, 2005

Levar a sério

Cavaco Silva acabou de introduzir uma novidade nas aparições públicas dos candidatos presidenciais. Conseguiu, durante mais de quarenta e cinco minutos, a estranha proeza de não falar um segundo de nenhum dos seus adversários e, pior do que isso, explicar aos espectadores por que era candidato a Belém. Os espectadores, habituados ao "bater no ceguinho" que tem caracterizado as intervenções dos "colegas" candidatos, devem ter ficado surpreendidos com a sobriedade de Cavaco. No fundamental, Cavaco só disse exactamente aquilo que quis. Não foi, porventura, aquilo que os seus críticos queriam que ele dissesse ou calasse. Nem tão-pouco Constança Cunha e Sá resvalou para aí. Para alguém que não é um político profissional, Cavaco demonstrou um estóico profissionalismo político nesta sua primeira entrevista como candidato presidencial. Para quem percebe que "isto" é mesmo para levar a sério, julgo que ficou minimamente demonstrado, sem necessidade de retóricas desajustadas ou adjectivações doentias, que Cavaco não veio para "dividir" ou para "reviver o passado". Para quem, no entanto, aprecia o fait-divers, terá sabido a pouco.

14 Comments:

  • At 10:26 da tarde, Blogger Tiago Alves said…

    É verdade caro João Gonçalves! Quem assistiu à entrevista com Manuel Alegre, onde a dona Constança conseguiu desmontar os argumentos do poeta, levando-o a contradizer-se e mesmo a desautorizar a sua mandataria deve ter ficado desiludido (ou surpreendido) com a quebra no andamento da senhora (ou, como penso, com a grande capacidade do professor). Numa entrevista deste calibre conseguir mostrar que a entrevistadora não se preparou bem (episódio do Iraque) é ganhar a guerra. Pode não ser profissional, mas é sem duvida um homem que sabe o que quer, e que não irá abaixo nas primeiras (e quem sabe nem nas ultimas) curvas

     
  • At 10:36 da tarde, Anonymous Nuno said…

    Cavaco foi o único a ter que responder a perguntas sobre a presidência. Os outros só tiveram que falar sobre Cavaco.

    Há uma grande diferença entre ser jogador e estar na bancada a criticar quem está no campo.

     
  • At 10:44 da tarde, Blogger LS said…

    Caro João, o seu entusiasmo e fé, viram e ouviram numa pobreza franciscana de argumentos uma negação daquilo que, entusiasmado, considera "bater no ceguinho".
    No celebrado "profissionalismo" (são suas as palavras) não se percebeu outra coisa senão um elogio permanente a si próprio e uma falta de consistência.
    Quando confrontado com os seus ataques a Jorge Sampaio, há 10 anos, começou por ensaiar uma negação, para depois se dedicar à exotérica prelecção sobre "o mundo" e como este estará "mudado".
    Nos ataques sibilinos "ao ouvidor" não existiu, claro qualquer referência a Soares.
    Entende o João que Cavaco não esteve a "reviver o passado", devemos ter assistido a entrevistas diferentes. Em toda a entrevista "explicou" detalhadamente o que "fez" ele e os "seus" ministros.
    Mas numa coisa tem razão, Cavaco não enfrentou de frente nenhum dos seus adversários nestas eleições, percebeu-se que gosta mais de "inuendos", criticas indirectas àquele que verdadeiramente considera o seu adversário: José Sócrates.
    Nos 45 minutos de entrevista, não foi capaz de mais do que uma cândida promessa de juntar "todos" em torno de um desiderato: garantir que os portugueses terminam o ensino secundário.
    Nestes 45 minutos o João ficou satisfeito e até entusiasmado com o seu "profissionalismo". É, evidentemente, uma opção: ver o que se desejava ter visto.

     
  • At 11:08 da tarde, Anonymous Miguel Carvalho said…

    Por muita simpatia que se tenha por Cavaco Silva, há que reconhecer que a entrevista foi fraca, tendo a prestação do candidato ficado muito aquém das -porventura excessivas - expectativas criadas. A parte que Cavaco Silva levava preparada sobre a sua experiência internacional e os sucessos do seus governos correu bem
    Já as perguntas, de resto óbvias, sobre o exercício da função presidencial foram pobres ou banais. Como é que é possível que um candidato à presidência não tenha opinião sobre a recente dissolução do parlamento? Na verdade Cavaco Silva revelou não poder exprimir opinião sobre nenhuma questão concreta, ao melhor estilo Sampaio.
    Depois também lhe correu mal a parte em que foi confrontado com as críticas duras, mas legítimas, que fez a Jorge Sampaio. É da natureza do combate político fazer críticas e reparos aos adversários. Cavaco já fez campanhas assim e fica-lhe mal agora condenar os outros por fazerem exactamente o que ele próprio já fez enquanto candidato presidencial.
    Acho que os seus apoiantes lhe prestam um mau serviço ao dizerem que tudo o que o candidato faz é bem feito. Esta entrevista correu-lhe mal. O importante é detectar as falhas e fazer melhor da próxima vez. Espero que os que não são neófitos cavaquistas e estão ao lado do ex-primeiro-ministro o saibam aconselhar com algum sentido crítico. Estarão a ajudá-lo.

     
  • At 11:14 da tarde, Anonymous Miguel Carvalho said…

    Correcção ao meu comentário: onde se lê, no princípio do segundo parágrafo, "Já as perguntas...foram pobres ou banais", deve lêr-se "Já as respostas às perguntas...foram pobres ou banais."

    Aproveito para dar os parabéns pela qualidade do blogue.

     
  • At 1:25 da manhã, Anonymous Anónimo said…

    Só foi pena o Aníbal dizer "prémios nóbeis"...

     
  • At 1:26 da manhã, Anonymous Anónimo said…

    Só foi pena o Aníbal dizer "prémios nóbeis"...

     
  • At 8:09 da manhã, Anonymous cris said…

    e foi pena nao ter sido mais interveniente quando da altura da guerra do Iraque, de tal modo que até passou despercebida a sua opiniao sobre o assunto. Se era contra devia ter juntado a sua voz à de Mario Soares, Freitas do Amaral e tantos outros e podia porventura ter impedido aquela vergonha que se passou numa ilha e o apoio formal do país ao despejar de bombas em Bagdad!

     
  • At 9:14 da manhã, Blogger Pedro Sá said…

    Eu também gosto de desvirtuar o que aconteceu DUH !

     
  • At 9:55 da manhã, Anonymous Anónimo said…

    Já hoje tive oportunidade de consultar, na blogoesfera, várias opiniões sobre essa entrevista.
    Constato - é a minha opinião - que o povo acaba tendo aquilo que quer. Só gostam de frases bonitas, mas tão ocas que nelas cabe, inteiro, quem as pronuncia.
    Diálogos apontados para a barriga.
    Enfim o que por aí se lê, é que gostam mais de treta e demagogia (esteja ela embrulhada da forma que estiver) do que do sério.
    O "ouvidor" referia-se a mario soares, sem dúvida (a letra minuscula é propositada).
    Mas quando se referiu que em 40 anos de serviço, alguns tinha sido passados em África a cumprir o Serviço Militar, já que não desertou nem foi para a Rádio Argel passar informações aqules que nos combatiam, traindo dessa forma a PÁTRIA que é representada pela Bandeira que é usual estar hasteada em Belém e á sombra dela já lá esteve esse infeliz do ms. Essa tinha um outro destinatário. Só não percebeu quem não quiz ou não sabe.

     
  • At 10:38 da manhã, Anonymous vaz said…

    Caro João,

    Tanto calculismo nas respostas, tanto profissionalismo na preparação dos temas só poderiam resultar numa entrevista vazia de conteúdo e tão inspiradora como uma bula farmacêutica.
    Esperava mais do Professor. Não quero que a corrida para o cargo mais prestigiado da nação se centre na capacidade que o super-favorito tem de evitar a discussão de temas que nos preocupam e marcam a época que vivemos

     
  • At 12:15 da tarde, Blogger JPB said…

    Interessado que estava na entrevista, confesso que não consegui vê-la toda. Enfastiou-me.
    Não pela falta de consistência ou interesse de Cavaco Silva (do lote de entrevistados, pelo que fui acompanhando, ficou sem dúvida a anos-luz dos outros, dos anti-candidatos).
    A entrevista maçou-me, como me tinham maçado as outras, por esta triste constatação: não há em Portugal um único (que eu conheça, um único!) entrevistador político decente. Nem um para mostra.
    E neste desfile de misérias, verdade seja dita, Constança Cunha e Sá abre a parada com estrondo.

     
  • At 12:43 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Será que uma eleição presidencial não representa um combate político? Um confronto de ideias?

     
  • At 2:30 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    ELE FALOU!????!!!!
    Disse alguma coisa?!
    Por acaso terá sido perfeitamente apanhado emcobtradições elementares?!?
    O mito desmorona-se....

     

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