Pulo do Lobo

sexta-feira, novembro 18, 2005

Problemas de identidade

Há fortíssimos problemas de identidade e posicionamento na candidatura de Mário Soares. Só não vê quem não quer ou quem não pode. Primeiro, Soares devia explicar às pessoas porque é que alguém que já foi Presidente da República o quer ser outra vez. Esta é uma pergunta que anda nas ruas e Soares não a consegue resolver. Segundo, Soares começou esta pré-campanha agitando o fantasma da ameaça de Cavaco Silva para a estabilidade do regime. Mais uma vez, há aqui um problema de identidade, porque Soares não só ignora que Cavaco não é um político subversivo como se esqueceu de uma entrevista sua à TSF, em Maio de 2003, em que reconheceu o "peso político" de uma candidatura de Cavaco, sem ter dito nada então sobre essa ameaça. Terceiro, Soares tem um problema de tom. As suas alusões ao candidato "complexado" ou ao "boletim clínico" mostram a dificuldade em encontrar o tom certo para uma campanha mais positiva que pudesse mobilizar os eleitores. Quarto, Soares tem Alegre e Alegre não desapareceu de cena. Por mais que Soares queira bipolarizar estas eleições, as sondagens não reflectem essa bipolarização. Alegre evitou atacar de chofre Cavaco, admitiu que a eleição deste não seria nenhum golpe de Estado, o que o coloca numa posição menos negativa e mais próxima de um eleitorado com "causas". Quinto, há um problema de identidade no discurso ideológico. Nos últimos anos, Soares foi-se encostando tanto à esquerda, na política externa, na reacção à globalização, na defesa do "modelo social" que, ao avançar agora com um candidatura presidencial, tem o problema de não saber o que fazer a todo aquele discurso. Não é por acaso que o seu manifesto eleitoral buscou uma moderação e um recentramento ideológico, muito claro por exemplo nas suas referências completamente novas a um Estado social adequado ao desenvolvimento económico de Portugal. Isto é um Soares que não existia há um ano, que foi criado agora à pressa para um campanha eleitoral em que ele está de facto notoriamente com a identidade perdida (DN de hoje).

5 Comments:

  • At 1:42 da tarde, Anonymous the observer said…

    "...Soares não só ignora que Cavaco não é um político subversivo como se esqueceu de uma entrevista sua à TSF, em Maio de 2003, em que reconheceu o "peso político" de uma candidatura de Cavaco, sem ter dito nada então sobre essa ameaça."

    As voltas que a vida dá. Nessa altura Soares estava muito amigo de Cavaco Silva, porque se falava na hipótese de Santana Lopes se candidatar a Presidente. Soares, e a sua "entourage", tudo fizeram para evitar que Santana tivesse o apoio do PSD (e ainda bem que não teve...), e espicaçaram Cavaco a avançar para travar Santana. Mas hoje Cavaco já é um "perigo" para a Democracia. Fica aqui um exemplo de como o Sr. Soares se julga no direito de decidir quem deve e não deve ser candidato a Presidente

    Confesso que a vitória de Cavaco Silva me dará especial gozo por ser contra Mário Soares. Aliás, é por Soares estar na corrida que não haverá nenhum candidato à direita de Cavaco. O mais importante é derrotar Soares (ou Alegre) e o PS, e acabar com a tutela da esquerda sobre a Democracia. Soares é uma influência nefasta na vida política portuguesa. É um "Padrinho" com demasiado poder sobre o PS e mesmo sobre o PSD (veja-se a teia em que tentou enlear Cavaco em 2003, para dividir o PSD e desgastar o governo PSD/CDS).

    Infelizmente, os media portugueses não têm a coragem dos brasileiros, para expor os podres desta democracia, e acabar com a vacas sagradas do regime. Assim, vamos continuar a falar das Fátimas e dos Valentins, que não passam de peixe miúdo.

     
  • At 2:09 da tarde, Anonymous Miguel Correia said…

    Mário Soares foi presidente da república durante dez anos.Na minha opinião, que não é a unica como se constata, para querer voltar a ser tem de ser por um motivo forte e inquestionável.A pergunta obvia que a maioria dos portugueses faz e à qual Mário Soares ainda não respondeu é qual é esse motivo.

     
  • At 5:26 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    caro Pedro Lomba


    estou ansioso por ver o seu comentário às declarações do prf Serrão sobre o fascismo...
    ou vão assobiar para o lado
    é que tal esclarecimento é importante para perceber quem apoia cavaco
    não ponho em causa as suas convicções democráticas mas determinadas afirmações não podem ficar impunes
    há poai tomates para explusar o ho,e da comissão de honra???


    Sérgio

     
  • At 5:27 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    oi

     
  • At 2:02 da tarde, Blogger DCP said…

    in GRANDE REPORTAGEM, por Joaquim Vieira
    Além da brigada do reumático que é agora a sua comissão, outra faceta distingue esta candidatura de Mário Soares a Belém das anteriores: surge após a edição de Contos Proibidos – Memórias de Um PS Desconhecido, do seu ex-companheiro de partido Rui Mateus. O livro, que noutra democracia europeia daria escândalo e inquérito judicial, veio a público nos últimos meses do segundo mandato presidencial de Soares e foi ignorado pelos poderes da República. Em síntese, que diz Mateus? Que, após ganhar as primeiras presidenciais, em 1986, Soares fundou com alguns amigos políticos um grupo empresarial destinado a usar os fundos financeiros remanescentes da campanha. Que a esse grupo competia canalizar apoios monetários antes dirigidos ao PS, tanto mais que Soares detestava quem lhe sucedeu no partido, Vítor Constâncio (um anti-soarista), e procurava uma dócil alternativa a essa liderança. Que um dos objectivos da recolha de dinheiros era financiar a reeleição de Soares. Que, não podendo presidir ao grupo por razões óbvias, Soares colocou os amigos como testas-de-ferro, embora reunisse amiúde com eles para orientar a estratégia das empresas, tanto em Belém como nas suas residências particulares. Que, no exercício do seu «magistério de influência» (palavras suas, noutro contexto), convocou alguns magnatas internacionais – Rupert Murdoch, Silvio Berlusconi, Robert Maxwell e Stanley Ho – para o visitarem na Presidência da República e se associarem ao grupo, a troco de avultadas quantias que pagariam para facilitação dos seus investimentos em Portugal. Note-se que o «Presidente de todos os portugueses» não convidou os empresários a investir na economia nacional, mas apenas no seu grupo, apesar de os contribuintes suportarem despesas da estada. Que moral tem um país para criticar Avelino Ferreira Torres, Isaltino Morais, Valentim Loureiro ou Fátima Felgueiras se acha normal uma candidatura presidencial manchada por estas revelações? E que foi feito dos negócios do Presidente Soares?

     

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