Pulo do Lobo

quinta-feira, novembro 17, 2005

Constança Chega Para Todos, Mas Alguns São Mais Iguais do Que Outros

Como seria de esperar, a entrevista de Cavaco Silva à TVI tem sido abundantemente citada na blogosfera (não faço links para não esquecer ninguém). O mais curioso são os remoques sobre o que aqui se devia ter dito e não se disse a propósito da dita. O Super-Mário nota que escrevemos "pouco" no dia seguinte. É verdade: seis posts. Por lá escreveu-se mais: 18. Três vezes mais, e com direito a duas fotografias, a lista de nomes da Comissão Política de Cavaco, uma citação de Thomas Macaulay (em espanhol), meia centena de linhas da bíblia de Maria João Avillez, uma citação do Pacheco Pereira, uma citação do Pedro Lomba, um ataque ao Mar Salgado e outro ao Arte da Fuga. É obra. Quando vir o Lomba e o Pacheco Pereira, vão ter de me ouvir. Entretanto, o Glória Fácil descobriu, com estrondo e escândalo, que não somos "isentos". Are you f. talking to me (como diria a f.)? Qualquer dia descobrem que alguns de nós somos do PSD, do CDS e até do FCP, e cai o f. Carmo e a f. Trindade. Preparem-se, sff.
Até lá, não tenho problemas em reconhecer que a entrevista da TVI "correu mal" a Cavaco. Faço-o por cinismo, claro. Segundo o soarista Medeiros Ferreira, não correu melhor aos outros. Constança Cunha e Sá mostrou-se temível, com uma memória de bisturi, aquela frieza sádica capaz de enervar um lorde saído das crónicas do João Carlos Espada e sobretudo dois acessórios raros no jornalismo português: tempo e vontade para dar cabo de lugares comuns.
Só lamento que estes luxos não se tenham repartido por igual entre todos os candidatos. Se Cavaco foi confrontado com o seu passado, os demais foram confrontados com a sombra de Cavaco. Constança recordou o lamento do Professor, perante a ameaça da "bomba atómica", de que a dissolução da Assembleia estivesse sujeita aos humores do Presidente. Fez bem. Mas porque é que não lembrou o mesmo episódio a Soares, que agora se apresenta como pilar da estabilidade? Depois, há a guerra do Iraque. Cavaco não falou sobre o assunto, se falou não foi o suficiente, se foi o suficiente não foi na televisão. Mas, há uns tempos, eu e largos milhares de portugueses assistimos à diatribe de Fernando Rosas, em directo na RTP, contra a presença de Portugal na NATO. Não seria boa ideia perguntar a Louçã, a Alegre e a Jerónimo de Sousa que lhes parece? Ou Constança não vê a RTP?
Os exemplos podiam multiplicar-se. Se isto fosse um jogo de futebol, os comentadores viriam a terreiro indignar-se com a dualidade de critérios do árbitro. Não é, por isso Cavaco vai ganhar na mesma.

7 Comments:

  • At 2:23 da manhã, Blogger Tiago Mendes said…

    "com uma memória de bisturi, aquela frieza sádica capaz de enervar um lorde saído das crónicas do João Carlos Espada"

    :)

     
  • At 11:59 da manhã, Blogger DCP said…

    Da Comissão de Honra de Cavaco: «No Estado Novo, a lei funcionava»
    «Porque é que se ouve, com frequência, 'faz-nos falta um Salazar'?
    Talvez porque nesse tempo não se gastava dinheiro loucamente e não se vivia com o luxo exagerado que muitos hoje aparentam ter. Havia mais seriedade na distribuição da riqueza nacional. Salazar foi um indivíduo notável da História de Portugal e teve, entre outros, o mérito de endireitar as contas públicas e de dar o exemplo de dignidade e modéstia. Era de uma humildade exemplar. Pagava do seu bolso o bilhete de comboio para ir para sua casa em Santa Comba Dão e o aluguer do forte de Santo António do Estoril onde passava as férias de Verão. Naquele tempo, os ministros tinham um chefe de gabinete e dos secretários. Não havia assessores. Hoje, há gabinetes ministeriais com 20 assessores, multiplicando por 20 ministérios totaliza 400 assessores, pagos à média de 1000 euros ou talvez mais. O dinheirinho é bom de gastar quando não é nosso...
    O período do Estado Novo e a liderança de Salazar têm sido alvo de muitas críticas. Porquê?
    As pessoas que não sabem História ainda pensam que o Estado Novo foi uma ditadura. Já tenho perguntado a juristas que digam se foi um governo de força ou de tipo proteccionista. A verdade é que foi um regime em que a lei funcionava e em que os próprios titulares dos cargos davam o exemplo da austeridade.»

    Professor Doutor Joaquim Veríssimo Serrão, historiador, membro da Comissão de Honra de Cavaco Silva e, em 1995, mandatário para o distrito de Santarém da candidatura do mesmo em entrevista, 4ª feira, dia 16/11, a «O Diabo».

     
  • At 1:57 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    TVI de Prisa....TVI de Polanco.....TVI de Cebrián....

     
  • At 3:49 da tarde, Blogger Pedro Picoito said…

    DCP, talvez o Veríssimo Serrão não seja o meu historiador preferido e talvez as suas opiniões sobre o Estado Novo não sejam as minhas. Mas vá perguntar à mandatária da juventude de Mário Sores, Joana Amaral Dias, ou mesmo ao Louçã,o que é que pensam das FP 25 de Abril. Ou ao camarada Jerónimo se lá no PCP ainda consideram a Coreia do Norte uma democracia. E depois de ter as respostas, voltamos a falar do Veríssimo serrão.

     
  • At 1:24 da tarde, Blogger DCP said…

    Já agora, o que faz na comissão de honra do Professor Cavaco Silva o Coronel Aventino Teixeira, militante fundador do PCTP/MRPP?

     
  • At 11:14 da manhã, Blogger poeta manhoso said…

    As comissões de honra são como as preferências clubísticas do Simão Sabrosa e do Figo, navegam ao sabor das marés mais favoráveis...

     
  • At 6:56 da tarde, Blogger Pedro Picoito said…

    Aventino Teixeira está na Comissão de Honra de Cavaco com o nobre fim de discutir o salazarismo com Veríssimo Serrão.

     

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