Pulo do Lobo

sábado, janeiro 07, 2006

Constituição

Assim escreve Vital Moreira:

“Se há palavra rara no discurso cavaquista é a Constituição. E no entanto, o papel do Presidente da República, que começa justamente por jurar a Constituição, é o de a cumprir e fazer cumprir e de promover e dinamizar os valores constitucionais (entre os quais o desenvolvimento é apenas um entre muitos). Sabendo-se que o candidato não morre de amores pela Lei fundamental e que entre os seus apoiantes estão os defensores de "outra constituição", será excessivo temer que uma eventual presidência cavaquista possa significar meter a Constituição "na gaveta"?”

Porque merece Vital Moreira tanto destaque? Notem bem que eu não me limito a citar uma passagem mas o post inteiro do cavalheiro e porquê?

Bem meus caros, por várias razões e entre elas, porque Vital Moreira merece.

Obviamente que debaixo de tão argêntea cabeleira nunca passou a ideia de contar o número de vezes que a palavra “Constituição” é dita por cada candidato. Como é bom de perceber, o bigodudo constitucionalista só pode estar-se a referir à qualidade da dita palavra, na medida em que varia em maior ou menor grau quando proferida pelos lábios de um soarista ou pelos de um cavaquista.

Adivinho Vital Moreira, de manhã, ao espelho, penteando solene bigode e proferindo apaixonadamente palavras que só da boca dele e outros como ele, merecem o devido valor. Com um sorriso complacente olhará para todos nós, brutos que tentamos articular os conceitos que só a ele e outros como ele, pertencem.

Admiro esta maneira honesta como Vital Moreira se expõe perante todos, mostrando que mais do que presumir, ele verdadeiramente interiorizou que existem de facto temas vedados a outros que não ele e outros como ele.

Alguns poderiam pensar que se trataria de uma confrangedora pretensão a reles vidente, mas tal não poderia estar mais longe da verdade, Vital Moreira não se deita a adivinhar, ele levanta-se sabendo! Ele sabe que os outros não amam a Constituição como ele e que esses outros querem mesmo outra Constituição.

A todos nós nos deixa uma pergunta, onde metemos nós a Constituição? Na “gaveta”?
Alguns poderiam pensar que se trata de uma pergunta retórica mas não. Ele sabe onde deve estar a Constituição mas não diz o que me faz temer que a minha não esteja em sitio adequado, tenho uma na minha mesa do gabinete, outra no disco rígido de um portátil, várias escrevinhadas à exaustão nas prateleiras de casa mas nenhuma está numa “gaveta”.

Diga-nos argênteo jurista, onde deve estar a minha Constituição?

6 Comments:

  • At 12:11 da tarde, Anonymous António P. Castro said…

    Quem esqueceu os arrebatados discursos estalinistas do Vital na AR, nos seus tempos de deputado do glorioso PC?
    Não mudou nada. No seu congénito oportunismo, apenas pensa que a gente esqueceu tudo.
    Engana-se.

     
  • At 8:16 da tarde, Anonymous A. Pedro said…

    VM percebe mais de matérias constitucionais do que você percebe de todas as matérias juntas. E, já agora, do que o seu Cavaco percebe de finanças (com uma pequena diferença, que é VM aparentar perceber alguma coisa de outras coisas, ao contrário do que acontece com a sua K7 do "Economia Para Totós", que se limita a ser isso mesmo).
    Ninguém esquece que VM possa ter feito a dada altura discursos estalinistas, mas também ninguém esquece que nessa altura o seu (vosso) Cavácuo andava a passear-se por York, ou onde diabo fez a tese que lhe conferiu o estatuto de divindade...

     
  • At 4:54 da tarde, Blogger Afonso Azevedo Neves said…

    Caro A. Pedro,

    Não percebo o sentido da primeira frase. A segunda ficou a meio. A terceira versa o passado de VM, ao qual não me referi, e ao de Cavaco que o meu amigo glorifica.
    Dizer que alguém percebe mais de alhos do que eu do universo não melhora a situação dos alhos ou desse alguém. De qlq maneira não é a competência de VM na matéria que está em causa.

     
  • At 11:31 da tarde, Blogger António Pedro said…

    Que não perceba o sentido da primeira frase, entendo. Que ache que a segunda ficou a meio, não me surpreende. Que não tenha percebido que respondia ao "a. pinto castro", é coisa que volta a não me surpreender. Que tente fugir aos alhos respondendo com bugalhos, espantosamente, continua a não me surpreender, visto que é uma estratégia frequentemente usada pelo candidato apoiado por V. exas. Que não tenha entendido o sentido da crítica de VM (embora eu tenha a certeza de que entendeu - e correndo o risco de me estar a repetir)...volta a não me surpreender.
    Mas como V. Exa. vai dizer que não entendeu nada do que escrevi, e como eu (pelos vistos) também não devo ter entendido nada do que V. Exa. escreveu, limito-me a tirar duas conclusões: ou você simplesmente não entendeu nada daquilo que leu (por ter tão honesta e convenientemente distorcido aquilo que VM disse), ou não entendeu nada daquilo que escreveu (ao tentar convencer-me hoje que não foi essa a intenção do post que escreveu ontem). Se não entende o significado do conceito de honestidade intelectual, deite fora as suas 20 Constituições, porque delas vai entender (ou deve ter entendido) muito pouca coisa...

     
  • At 10:42 da manhã, Blogger Afonso Azevedo Neves said…

    Caro A.Pedro

    Estou esclarecido agora sobre o sentido do primeiro comentário por si feito e confirmo a minha suspeita: Não percebeu nada do que leu. Note, aqui presumo (não como VM) porque o contrário teria como consequência que, em vez de adivinhar pouca imaginação saberia-o (como VM) desonesto.

     
  • At 2:59 da tarde, Blogger António Pedro said…

    Sim, caro A. Azevedo Neves. Devo ser tolinho, sabe? É, se calhar, por isso, que perco tempo a responder-lhe...
    Presuma o que quiser, que quem o lê sabe (e posso-lhe garantir que não é preciso ser VM) o que quer (neste caso, o que quis) dizer com o que escreve (escreveu). Repito: sabe, não presume...De facto, é até compreensível: se tivesse mais certezas, não votaria Cavaco, nem distorceria o que os apoiantes de outros candidatos dizem (ou, pelo menos, estou certo que não necessitaria disso).
    Calo-me, porque estou certo que VM não precisa de advogados (nem eu me revejo nesse papel); apenas achei o seu post de uma extrema desonestidade intelectual, e foi isso que me motivou a escrever este comment. Já vi, no entanto, que é tempo perdido.
    Vá em paz...

     

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