Pulo do Lobo

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Mitos de uma infância anti-Cavaco

No Super-Mário, onde mais haveria de ser, o Miguel Cabrita (re)escreve que o crescimento português durante os anos 1985-1995 sucedeu apesar de (e não devido a) Cavaco. Mas como efectivamente crescíamos e nos aproximávamos dos níveis de riqueza da UE a um ritmo nunca mais visto, o que terá então existido de diferente? Diz-nos MC:

"houve, além de uma conjuntura económica única, um influxo,
sem precedentes nem réplicas, de fundos europeus
"


Não sei o que MC entende por conjuntura económica, mas se tomarmos as taxas de crescimento do PIB como um indicador relevante para o caso, e se aceitarmos os países G7 como um bom agregado, temos então a conjuntura económica assim:

Conjuntura -Média de crescimento do somatório do PIB dos países G7:

1985-95 (Cavaco): 3,07%
1995-2002 (Guterres): 2,82%

Tanto barulho por 0,25%? (Vamos às duas casa decimais, que é moda entre socialistas)

Fundos Europeus*:
(valores aproximados)

1º pacote (1989-1993): 9.400 M€
2º pacote (1994-1999): 17.600 M€
3º pacote (2000-2006): 22.800 M€

Por períodos de governação :

Cavaco: 12.300 M€
Guterres : 22.795 M€
Barroso/Santana: 9.750 M€
Sócrates(até 2006):5.000 M€

Médias por ano:

Cavaco: 1.230 M€
Guterres: 3.800 M€
Barroso/Santana: 3.270
Sócrates (22 meses): 2.275 M€


Tenho portanto alguma dificuldade em perceber para quem está a escrever MC quando pergunta «E como é possível não ter aproveitado mais e melhor esse período irrepetível, desperdiçando tantos e tantos recursos

E quanto a conjunturas económicas, gostava de saber que espécie de conjuntura é, em 1985, herdar um país, entre outras coisas, com aquela dívida externa, com aquela taxa de inflação, com aquela taxa de juro, com aquela bela economia fortemente ruralizada, estatizada, nacionalizada. Com aquela bela moeda ao vento chamada escudo. Posso trocar pelos 0,25% lá de cima?

A moral desta história é a de sempre, a de que nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde vai. E não houve nem conjuntura nem fundos que travassem a desaceleração do nosso ritmo de convergência face à UE a partir de 1994 e de divergência efectiva desde 2002.

E se é verdade que os fundos e a conjuntura são factores positivos, a realidade torna-se especialmente cruel quando nos apercebemos que estes factores continuaram altamente positivos enquanto assistíamos ao agravar da situação portuguesa. O maior problema político e económico português tem causas e soluções maioritariamente internas. E, face a elas, o meu voto vai direitinho para Cavaco.

*(Obrigado ao leitor LV pelos dados discriminados dos fundos europeus e ao Pedro Crespo pelos dados em bruto do G7)

23 Comments:

  • At 9:24 da manhã, Anonymous Anónimo said…

    Outro?!!
    Quem é o Pinheiro?

     
  • At 11:13 da manhã, Anonymous Safa! said…

    Eles são só 3: o Tunhas, o Picoito e o Lombo.
    O resto são pseudónimos.

     
  • At 12:02 da tarde, Blogger rb said…

    O problema foi a desbaratar dos fundos que nos 10 anos de reinado de Cavaco, foi demasiado evidente. Supostamente aqueles deviam ter servido, entre outras coisas, para qualificar e formar a mão de obra portuguêsa. Serviram foi para formar e qualificatr o bolso de muito boa gente.

     
  • At 12:37 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Essa de, "formar e qualificatr o bolso de muito boa gente", já acabou?
    Já sei... Acabou quando o Cavaco Silva saiu do governo.
    Estou esclarecido...

     
  • At 1:01 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Já agora, nos anos de governação de Guterres esquecem-se de contabilizar os 'ganhos' que o Estado teve com a descida das taxas de juro, impostas no quadro do Euro (i.e, não derivadas de doutas politicas nacionais) - ou seja, os seus reflexos em termos de diminuição de encargos relativos a divida pública e/ou défices.

     
  • At 1:46 da tarde, Anonymous jacl said…

    Eu, que não sou parvo, ainda me lembro muito bem do Toneca Guterres afirmar que as negociações com a UE tinham sido um êxito porque íamos receber ainda mais que no tempo de Cavaco. E os senhores jornalistas que tinham criticado a política do betão, aplaudiam alarvemente. O resultado foi aquilo que se sabe.

     
  • At 2:24 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    É inconcebível! Nem com números - e com fontes - (ver site "Europa", vem tudo lá! ) os renitentes com a mistificação renunciam ao ataque descabelado!
    A contribuição de Manuel Pinheiro foi decisiva. Quanto aos elementos relativos aos fundos comunitários transferidos para Portugal, se necessário, posso dar as informações suplementares que forem indispensáveis. Por exemplo, algum dos críticos de Cavaco Silva sabe exactamente quais os objectivos da afectação desses fundos em cada pacote? E que destino - útil, entenda-se - deu Guterres à enorme massa de fundos cominitários que recebeu? Não seria melhor estudar um pouco antes de dizer "n'importe quoi"?
    Força! pela verdade!
    LV

     
  • At 2:32 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Digníssimo:
    Brada aos céus a desfaçatez com que os chuchialistas falam de Cavaco Silva e da sua governação.
    Dá dó o ódio com que falam de Cavaco.
    Mário Soares está transformado num cómico que gesticula e esbraceja com uma inaudita intensidade para desmentir a sua evidente senilidade. Quer agora vir explicar aos portugueses que, afinal, ele é que foi um bom Primeiro Ministro... pasme-se, e que Cavaco foi um incompetente. Bravo! Se alguma dúvida existisse àcerca da degenerescência cerebral do homem, bastava esta ideia peregrina que agora nos quer vender para dissipá-la.
    Vamos ajudar o Dr. Mário Soares a perder à primeira volta com dignidade...

     
  • At 4:42 da tarde, Blogger Mendonça said…

    Caríssimo,
    Esqueceu-se de referir que Cavaco Silva beneficiou da simbiose extraordinária de dois factores: as baixas históricas do preço do petróleo, e um dolar forte a ajudar as exportações europeias. Alguma honestidade inteclectual não nos fica mal! E já agora assumo: Dos cinco, venha o diabo e escolha!

     
  • At 5:03 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Há uma coisa ainda mais interessante: o montante de fundos que Durao/Santana receberam nao foram muito inferiores aos do Tonecas mas o crescimento foi ainda pior, e nao apenas 0,25% inferior.

     
  • At 5:10 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Perguntinhas...

    1. O que aconteceram aos fundos de 1986, 1987 e 1988 uma vez que nao sao referenciados?

    2. Qual a real evolução real (sabe, descontando a inflação), pois se eu receber hoje 100Euros e para o ano que vem 200E recebo o mesmo se a inflação for de 100%.

    3. O efeito das privatizações na redução da dívida externa, onde aparece? Não vejo...

    4. O facto de que a foi o governo do bloc central (M.S. + Mota Pinto) que começou a estabilizar a conjuntura portuguesa e a reduzir a inflação.

     
  • At 5:14 da tarde, Blogger el__sniper said…

    Contas, contas, nao percebo como as fizeram. Por favor mais detalhes:
    ver as minhas duvidas aqui:
    blogdelsniper.blogspot.com

     
  • At 5:58 da tarde, Anonymous Vasco Gabriel said…

    Os numeros relativos ao fundo de coesao sao a precos constantes? E que se nao forem, a comparacao nao vale nada...

     
  • At 7:04 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Entao vai-se dignar a ver que as contas estao erradas?

    blogdelsniper.blogspot.com

     
  • At 8:51 da tarde, Anonymous Manuel Pinheiro said…

    Caro Sniper,

    A diferença é que você não está, como eu, a comparar períodos de governação.

    Sei que dava um certo jeito que Cavaco não tivesse governado 10 anos, mas governou.

    E se são períodos de governação de que estamos a falar, os fundos europeus devem ser divididos pela totalidade dos anos desta.

    É óbvio que se você quiser apagar 4 anos irá ter como resultado uma maior percentagem, qual é o segredo ou a novidade? Mas isso é verdade para 5 ou 6 anos, não para os 10. E é dos 10 que estamos a falar.

    Por muitas voltas aos cálculos que você dê, até pode mudar o ano base de preços constantes do PIB G7 (1995) e conseguir percentagens algo diferentes, mas não há metodologia que negue a substância do argumento:

    O que fez a diferença no ritmo de aproximação ao nível de riqueza com Cavaco face aos que lhe sucederam, não foi nem a conjuntura nem o afluxo de fundos da UE.

    E, meu caro, queira desculpar, mas mesmo que aceitasse a sua metodologia, o argumento mantinha-se face à travagem do ritmo de desaceleração e presente divergência.

     
  • At 5:23 da tarde, Anonymous Sérgio N. said…

    Independente de terem tido acesso a mais ou menos fundos europeus, são todos cúmplices na estratégia gizada para portugal.

    Reflicta-se apenas no facto de Portugal ter uma cobertura rodoviária cerca de 10 vezes superior à da Irlanda e 4 vezes superior à da Finlândia*.

    Qual a visão destes senhores?


    * De acordo com dados do EuroStat.

     
  • At 6:09 da tarde, Blogger el__sniper said…

    Tudo bem, se nao posso apagar anos de governacao, mas tb nao pode apagar anos de fundos comunitarios (voce so usa os anos de 89 a 94) e os anos dos fundos de 88 , 87 e 86 apagam-se?
    Se nao tem os fundos destes anos nao pode dividir os fundos de 89 a 95 pelos anos de 86 a 95, Compreende onde está o erro?
    Depois tem que os por em valores reais, sabe a diferenca nao sabe?
    E finalmente como o crescimento e' relativo tem que comparar o peso dos fundos com o PIB, ou seja uma medida relativa.

    A divergencia presente e'real, e nao ponho em causa isso, alias acelerou durante os governos de Durao/Santana, ponho em causa os seus calculos relativos aos fundos recebidos.
    Por exemplo, como e que Guterres recebe por ano um valor superior quando qq plano anualizado da um valor inferior.

     
  • At 2:32 da manhã, Anonymous Anónimo said…

    O snipervesgo tenta demonstrar de uma forma asna que as contas não são claras . Que argumentação mesquinha , tipica de sucialistas , agarra-se a detalhes , para tentar negar o obvio .
    Ouve lá ó sniper vesgo , com mais correcções ou com menos correcções , a diferença é abismal.

    Felizmente Cavaco Silva governou Portugal 10 anos , durante esses 10 anos , Cavaco montou um motor para empurrar este país e deu-lhe um rumo .
    No fim desse tempo , que mudou para sempre a face da terrinha , parece que os Portugueses entraram naquela onda muito estupida ..., não tenho problemas , vou arranjar problemas .E votaram socialistas ...veio desgoverno , veio alguém para governar que não sabia o PIB ...veio por fim o mais amargo dos frutos da revolução , a pedofilia ... em vez de governarem tranquilos e sensatamente , andaram na lama pegajosa do mais asqueroso vicio, vide Paulo Pedroso , ex porta voz do maior partido Portugues o PS .

    Problemas ?? alguém pediu Problemas ??? Ora cá estão ... não é fácil arranjar problemas ???

    Por outro lado .. como é dificil governar BEM .

    Governar BEM ... que aspiração !!
    Ser BEM governado !!! Que desejo !!

    Eu costumo dizer que governar é como pilotar um avião.
    Os mais ricos estão no centro do avião , quanto mais pobres mais afastados do centro , até que chegamos aos que estão nas pontas das asas que são os mais pobres dos mais pobres .

    Erros de pilotagem mal são sentidos no centro ... os ricos nunca sentem a crise... mas nas pontas das asas .....como sofrem.

    Problemas sniper ? foi vc que pediu ?

    Não há nada pior do que ter a sensação de se ser governado por asnos.

    Afonso Henriques

     
  • At 12:14 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Se os socialistas (com "o") não sabiam o que era o PIB, os sociais democratas não sabiam quantos cantos tem os Lusíadas.

    Caro Afonso Henriques, acha realmente que as gralhas ou a falta de cultura geral são questões determinantes para escolher em quem votar?

    Voltanto à "programação normal" (não sei como aprovaram este último comentário), tem alguma coisa a dizer para além dos insultos ?

    João S.

     
  • At 1:30 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Boas João S.niper,

    Já descobriste como assinar sem fazer o saco do registo, né ?

    Então para ti governar é uma coisa simplérrima que qulquer pessoa com bastante cultura geral pode fazer ?
    Então pq em vez de eleições não fazem um concurso na TV de cultura geral? Quem ganhasse governava !! era isso ?

    Sinceramente achas possivel pilotar um avião sem saber o que é um leme , ou um freio , ou um manche ou um aileron ?Sem saber fazer uma vrille ?
    O resultado qual é ? contacto imediato de 3º grau ao solo ? acertaste, foi o que aconteceu com o Guterres .

    Então querias que censurassem o meu post ? Não gostas das verdades ? Isto não é o finado BDE II nem o fóssil Barnabé que com muito prazer ajudei a enterrar.
    Lá sim .. se não gostavam da pimenta censuravam de imediato .

    Mas onde estão os meus insultos ? foi por ter escrito Paulo Pedroso com maiusculas ? Ah .. de repente é isso ... é que ele nem isso merece ...
    Já agora .. que falo de tão asquerosa pessoa , e já que estou bem longe daí da Portuga , alguém me sabe dizer se ele sempre vai a julgamento ? ou conseguiu até isso evitar ?

    Força Democracia , força Cavaco... apesar de estar longe, podes contar com a força do meu espadeirão.

    Afonso Henriques

     
  • At 3:34 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Alguém já vos ensinou o que são taxas de actualização??? Então, actualiza lá esses valores para o mesmo ano base e depois conversamos... Estarmos a comparar alhos com bugalhos não vale de nada

     
  • At 7:21 da tarde, Anonymous Z said…

    Este Afonso Henriques é mesmo "curto" de vistas e grosso!
    E parece que é grande "admirador" de P. Pedroso para o estar sempre a citar, vá lá a gente saber porquê?
    Mas parece que tem uma atenuante relativanmente à "curteza " de vistas, pois se encontra na Estranja não sabemos bem em que país, mas isso pouco importa, porque pelas calinadas que saem da sua boca "venenosa" e viperina, das duas uma: ou ou os jornais portugueses e a RTP Internacional não chegam aí ou então não sabe ler os media do país que o acolhe, a ponto de não está a par da real situação do país nos últimos 30 anos.
    Procure informar-se bem de quem efectivamente tem contribuído para o desenvolvimento do nosso Portugal, quem sempre deu a cara nos momentos mais difíceis e quem se aproveitou das marés das vacas gordas para fazer política de fachada à base do betão, sem investir na formação e qualificação das pessoas. Se calhar o Sr. Afonso Henriques terá sido uma dessas vítimas ao emigrar , por não ter possivelmente conseguido arranjar emprego em Portugal por esse motivo.
    Quanto ao seu espadeirão, será bem melhor metê-lo no saco porque essa arma era o último argumento da força da razão contra a razão da força, nos tempos medievais dos antepassados "afonsinhos do Condado".
    Deixe-se de vomitar insultos e acusar pessoas sem provas do que diz porque além de revelar falta de carácter e cobardia sob a protecção do anonimato, é revelador do tipo de pesoas que a personalidade e o perfil do seu candidato dilecto Cavaco tem a apoiá-lo, e que em nada o beneficia.
    Penso aliás que ele não precisa de pessoas assim e até penso que ele não merece o seu apoio.
    Mas enfim , as palavras identificam quem as profere, e como dizia o filósofo :
    O silêncio é de ouro, a boa palavra é de prata, e o "palavrão mata.
    E não há espadeirão que te salve !
    Quando não tiveres argumentos, faz como o Cavaco : "Moita Carrasco".

     
  • At 7:39 da tarde, Anonymous Zé Sempre em Pé said…

    Este D.Afonso Henriques é de mais.
    Insulta com palavrões, acusa sem provas e ameaça com o espadeirão!
    O seu tetraavôzinho de Guimarães
    muito se deve rir lá do alto do seu
    trono celestial, com este arauto
    da democracia caceteira, perdão espadadeira.
    Com apoiantes assim Cavaco Silva já ganhou à força, que é como quem diz à primeira .
    Penso que o seu candidato dispensava apoiantes assim,penso até que ele não merece pessoas destas.
    Mas enfim cada um é como é e contra estas pragas de arruaceiros, há que continuar a fazer pedagogia democrática e tentar usar argumentos da razão contra a razão dos espadeirões afonsinos, de que o próprio D. Afonso Henriques ( o verdadeiro) por certo se envergonharia!
    Já lá vão os tempos e as ideias medievais e obscurantistas, estamos em pleno século XXI, em plena civilização dita moderna !

     

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