Pulo do Lobo

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Debate político

Grande alvoroço pela sugestão de Cavaco: um secretário de Estado para acompanhar as empresas estrangeiras em Portugal.
Não se chegou a discutir a proposta, nem o problema económico que é real.
Muita indignação, muito facto político, quase nenhuma profundidade.
Pobreza do debate político em Portugal e a comunicação social não ajuda.
Reafirmo. Não estão em causa as instituições.
Não há nenhum golpe de Estado presidencial em curso.
A política e as instituições servem para resolver problemas reais: estagnação económica, desemprego.
Alguma esquerda ainda não percebeu isto.

17 Comments:

  • At 1:52 da tarde, Blogger André Carvalho said…

    Como tenho alguns "bons" contactos, tive o privilégio de ter acesso a esta escuta efectuada na passada noite de Natal a um telefonema do Primeiro-ministro José Sócrates para Mário Soares, e que dada a sua relevância sinto-me na incumbência de o transcrever na íntegra, num rigoroso exclusivo «Geração Rasca»:

    Mário Soares (MS): Está?

    José Sócrates (JS): Dr. Mário Soares?

    MS: Claro… quem haveria de ser?

    JS: Lá está o doutor Soares com as suas brincadeiras…

    MS: Mas quem fala?

    JS: Sou eu… o Sócrates.

    MS: Ah! Então… está tudo bem?

    JS: Vai-se indo, vai-se indo. E o doutor?

    MS: Eu? Eu estou sempre em forma!

    JS: Pois…

    MS: Mas diga lá… precisa de alguma coisa?

    JS: Bem… estava-lhe a ligar por um motivo um bocado… delicado.

    MS: Ai é????? O quê?

    JS: Bem… é sobre aquelas declarações que prestou sobre o Ribeiro e Castro, o líder do PP... CDS/PP. Lembra-se?

    MS: Claro que me lembro! Só que ele não é o líder do PP é o líder do CDS.

    JS: Pois…

    MS: Ele diz aquilo... ele é, ainda por cima, deputado do Partido Socialista... um dos grandes grupos do Partido Socialista é o Partido Socialista... o Partido Socialista Europeu...

    JS: Bem…

    MS: Imagine lá como é que ele vai entender-se com os colegas do parlamento a dizer dessas coisas aqui no plano interno... E é feio, não é bonito e... é uma pena que seja um dos mais entusiásticos, senão o mais entusiástico, apoiante do dr. Cavaco nesta eleição

    JS: Pois… é precisamente por isso que lhe estou a telefonar. É que o Ribeiro e Castro é mesmo líder do PP.

    MS: O Fidel Castro é líder do PP? Você está louco?

    JS: Não doutor! Não é o Fidel Castro… é Ribeiro e Castro!

    MS: Claro que Ribeiro e Castro é líder do PP... você já me está baralhar homem…

    JS:?????

    MS: Mas diga lá o que me quer dizer que tenho a família toda à espera e o bacalhau a arrefecer… desembuche.

    JS: Bem… queria-lhe dizer que as suas declarações foram um bocado confusas e…

    MS: Confusas? As minhas declarações?

    JS: Pois… até disse que o Ribeiro e Castro era do partido socialista…

    MS: Eu disse uma coisa dessas?

    JS: Disse! E até disse mais…

    MS: Ó homem…não se preocupe mais com isso... aquilo foi simplesmente um pequeno lapso. Acontece a qualquer um.

    JS: Ai foi?

    MS: Claro que foi!

    JS: Assim já fico mais descansado…

    MS: E pode ficar mesmo descansado!

    JS: Bem… então aproveito para lhe desejar um bom Natal e dê também os meus cumprimentos à Dona Maria Barroso.

    MS: Muito obrigado Sócrates, serão entregues… e já agora…

    JS: Sim…

    MS: Mande aí um abraço meu de boas festas ao Platão.

    JS: ?????

     
  • At 2:18 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    E não escrevem nada sobre a "coragem" demonstrada pelo vosso candidato, ao negar que tivesse dito o que realmente disse, ao JN, para fugir às críticas? E que dizer do carácter do homem "de palavra" ao remeter as culpas do seu deslize para umas supostas "inverdades" dos outros candidatos? O homem não tem hombridade nem respeito pela nossa inteligência.

    Luis Rainha

    http://aspirinab.weblog.com.pt/2005/12/cavaco_vintage.html

     
  • At 2:45 da tarde, Blogger Tiago Alves said…

    Acima de tudo, Cavaco falou verdade e deu uma ideia. Coisa que poucos se poderão gabar. Concordo consigo, tanto alarido e "esqueceram-se" de discutir a proposta.

     
  • At 5:40 da tarde, Blogger Gabriel said…

    Apenas 3 ideias:
    1. A sugestão apresntada por Cavaco é péssima.
    2. É feio mentir, que foi o que ele fez no dia seguinte ao negar ter sugerido.
    3. É pena não ter coragem. Ficaria melhor ter dito: «sim, sugeri e qual é o propblema? Afinal a ideia é boa ou má?»

     
  • At 5:55 da tarde, Anonymous afterdream said…

    perceberam, perceberam eles não são tão ingénuos como se pensa...

    Estão a querer atirar areia para os olhos dos portugueses, mas não vão conseguir :)

     
  • At 5:59 da tarde, Anonymous LV said…

    Quanto ao ataque desferido com a arma do "perigo de intervencionismo em matérias de competência governamental", porque não recordar simplesmente o que tem feito, concretamente, o ainda Presidente, dr. Sampaio?
    Basta lembrar:
    - as constantes notas críticas às políticas da Justiça, com ideias muito concretas sobre quse todos os aspectos da mesma;
    - a célebre frase "há vida para além do déficit"...
    - numerosas sugestões sobre aspectos bem identificados da política de Educação;
    - as repetidas chamadas de atenção para as questões da política de saúde, do combate aos incêndios, das problemáticas da pobreza e da droga;
    - A situação de efectiva "tutela" criada ao Governo Santana Lopes;
    - etc., etc., etc.,
    Alguém, nessas alturas convocou conferências de imprensa para se alarmar/indignar (ai o direito à indignação!) com estes "ataques gravíssimos" às competências do Governo?

    Isto são apenas exemplos recentes da prática política de um Presidente, aparentemente acima de toda a suspeita - e considerado demasiado pouco interveniente por muitos, incluindo... os actuais candidatos de esquerda...
    Então em que ficamos? Na verdade, se o ridículo matasse, talvez tivessem mais cuidado com o que dizem...

    LV

     
  • At 7:07 da tarde, Anonymous neftis said…

    Cavaco Silva não tem nada que justificar-se cada vez que a matilha de esquerda ladrar. Não ganha nada com isso, pelo contrário. Já se percebeu que mesmo depois da sua eleição, Cavaco continuará a ter oposiçao. O que será a primeira vez para um presidente...

    De qualquer modo, eu registo o tratamento diferenciado dado pela comunicação social a Cavaco e a Soares. Este último estava notóriamente embriagado no sábado passado, quando respondia à pergunta da SIC sobre as declaração do líder do CDS sobre a esquerda. A comunicação social abafou tudo. A SIC só passou aquele clip na SIC Notícias, nunca nos noticiários do canal generalista. Os outros jornalistas calaram-se na boa.

    Quanto às declarações de Cavaco ao JN, a montagem começou logo no título escolhido pelo jornal na 1ª página, que deu a deixa para a esquerda fazer o enredo todo, e o resto dos media criarem a "notícia" do dia. Sabem-na toda. Só que Cavaco não é o Santana, e não será enterrado pelos lacaios do Soares & Ca. na comunicação social.

     
  • At 11:09 da tarde, Blogger Pedro Picoito said…

    Por uma vez, concordo com o Gabriel e com o post que escreveu sobre isto no Blasfémias.
    Mas é bom notar que as críticas que têm sido feitas a Cavaco por causa da ideia não coincidem com as do Gabriel, que alerta - e parece-me que com razão - para o perigo de uma eventual distorção do mercado. Claro que esta crítica é coerentemente liberal, coisa de que não podem orgulhar-se nem Soares, nem Alegre, nem Louçã, nem Jerónimo.

     
  • At 11:14 da tarde, Blogger Pedro Picoito said…

    Só mais uma coisa. Como é óbvio, no lugar de Cavaco eu não teria desmentido uma vírgula da proposta. O que me interessa é discutir os seus méritos ou deméritos. O resto, o medo do presidencialismo, etc, não passa do papão do costume. Mas do lado de lá pensarão que os portugueses são todos estúpidos?

     
  • At 11:24 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Para que não caia no esquecimento e para conhecimento das novas gerações:
    (Texto publicado na "Grande Reportagem" em Abril de 2002)
    O PRESIDENTE QUE GOSTAVA DE JORNALISTAS

    "As presidências abertas foram construídas para dar visibilidade ao dr. Soares e para desgastar Cavaco Silva", diz Estrela Serrano em declarações à GR.
    A hoje directora do departamento de jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social descreve a assustadora homogeneidade com que os repórteres seguiram sem desvios os temas e enquadramentos propostos pelo chefe de Estado nessas campanhas, mesmo quando elas se transformaram num combate indisfarçável ao governo legítimo da nação duas vezes eleito por mais de 50% dos votos.
    O principal garante do respeito pelo escrutínio popular patrocinava assim manifestações e protestos que se desenrolavam a par e passo das suas cerimónias oficiais enquanto presidente da República, com improvisações organizadas e bandeiras negras que emergiam por entre o normalíssimo funcionamento das instituições democráticas e sem ameaça visível no horizonte para além do ruído mediático acerca de uma misteriosa ‘ditadura da maioria’ que ninguém percebia onde é que estava.
    Esta lógica alcançou o auge na peregrinação à volta da Área Metropolitana de Lisboa, entre 30 de Janeiro e 15 de Fevereiro de 1993, um ano e três meses após a segunda maioria absoluta do PSD e num ambiente em que a guerra entre Belém e S. Bento atingia proporções de comédia com a hipótese de dissolução da Assembleia da República.
    Ao longo de duas semanas agricultores, estudantes, moradores, sindicalistas, desempregados, ambientalistas esperavam Soares e este era informado com antecedência da sua presença.
    Os assessores alertavam os jornalistas para não perderem esses momentos, a segurança encarregava-se de lhes abrir passagem até junto do primeiro magistrado da nação e este não iniciava os seus discursos sem estar rodeado dos repórteres. O staff presidencial combinava encontros informais entre o chefe de Estado e os media e se os enviados dos órgãos de comunicação social considerados mais influentes não solicitavam uma conversa privada com o inquilino de Belém eram os assessores que tomavam a iniciativa de a sugerir para se certificarem de que a perspectiva do jornalista não era desfavorável a Soares.
    "A proximidade e o convívio existente entre os jornalistas que acompanhavam o Presidente e os assessores permitiam que estes se apercebessem das reacções dos jornalistas a determinados eventos ou palavras do Presidente e o informassem de que era necessária uma sua intervenção no sentido de um enquadramento favorável, que surgia então como natural", escreve Estrela Serrano.
    Soares começava o dia a ler o Diário de Notícias e o Público e de 24 em 24 horas era informado pelo seu staff da cobertura total que estava a ser feita. À hora dos principais telejornais a caravana parava, mas quando isso não acontecia a equipa do chefe de Estado gravava-os em vídeo para serem vistos à noite de modo a avaliar o impacto dos acontecimentos e se fosse caso disso introduzir correcções de estratégia. "A leitura dos jornais e o facto dos autores das notícias se encontrarem quase permanentemente junto do Presidente e dos assessores facilitava o controle de desvios ao discurso oficial", escreve Estrela Serrano..."

    (nota-Estrela Serrano era assessora de imprensa do presidente Soares)

    crsdovale

    posted by Minha Rica Casinha

     
  • At 2:36 da manhã, Anonymous A. Pedro said…

    Caro Neftis, concordo consigo! Está na cara que Balsemão é um fervoroso apoiante de Soares...

     
  • At 11:20 da manhã, Blogger LdV Contribuinte said…

    É óbvio concluir também que a manipulação eleitoralista da política económica exercida até aqui constitui a maior força de bloqueio do crescimento económico em Portugal.
    Portugal carece, portanto, de uma política séria de médio e longo prazo.
    (...)

    Alfredo de Sousa, Linda-a-Velha, 94.05.01

    comunicação (penso que) apresentada no congresso Portugal: Que Futuro?, organizado por próximos de Mário Soares, então Presidente da República, quando Cavaco Silva era o primeiro-ministro.


    # posted by Aprendiz : 02:16
    Comments:
    Alfredo de Sousa tinha razão. Cavaco Silva e todos os primeiros ministros governam com um olho nas sondagens e outro nos interesses pessoais. Mas os ciclos eleitorais portugueses são agravados por um sistema politico que promove a instabilidade e a irresponsabilidade. O problema é causado em parte pelo método de Hondt que promove a fragmentação dos votos,e o facto de haver 3-4 eleições em certos anos como 2005. Estamos permanamente em campanha eleitoral, agora autarquica, agora legislativa, agora presidencial, agora europeia ou até um referendo. Nenhum país podia ser bem governado bem nestas condições.

     
  • At 3:10 da tarde, Anonymous Manuel Martinho said…

    Para pôr fim à ignorância: já ouviram falar na Agência Portuguesa de Investimento, sedeada no Porto, dirigida por Cadilhe?

     
  • At 9:32 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    ..."Para pôr fim à ignorância: já ouviram falar na Agência Portuguesa de Investimento, sedeada no Porto, dirigida por Cadilhe?"...
    E os outros é que são ignorantes!!!

     
  • At 9:46 da tarde, Blogger DCP said…

    Sr Manuel Martinho, já aqui foi dito, num comentário a outro post, que o Dr Miguel Cadilhe já não é presidente da API.

    Sr Luís Rainha, gostei da expressão "hombridade", faz-me lembrar a célebre frase: "é um jogador com H grande"!!!

     
  • At 3:56 da manhã, Anonymous Anónimo said…

  • At 12:31 da manhã, Anonymous Anónimo said…

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