Pulo do Lobo

terça-feira, dezembro 27, 2005

Intriga constitucional

Na SIC-N, oiço que Soares convocou uma conferência de imprensa para comentar a entrevista de Cavaco ao JN. Perco dois minutos a pensar nisto. Dois minutos perenes, dedicados. Uma conferência de imprensa para comentar declarações de um candidato. Haverá razões sérias para tamanho alvoroço? Os candidatos são todos muito zelosos e orleanistas, muito senhores das suas palavras quando falam dos «poderes do presidente». Esquecem, ou fingem esquecer, que o maior poder no Presidente é o poder informal. Se visitarmos o site da juventude soarista podemos ler, como lembra o João Miranda, as propostas mais concretas desta campanha. Vem com isso algum mal ao mundo? Não vem. São precisas conferências de imprensa para denunciar a deriva sidonista que parece seduzir 20% do país? A noção de ridículo diz-nos que não. Mas com Soares não é assim. Nunca foi. Desde muito cedo percebeu que em eleições vale tudo para ganhar. Alarmismos, incursões históricas, revisionismos torpes. Luz, câmara, acção. Um tom grave e imperturbável. Um homem preocupado com o país. Com o sistema de Governo. Com a Constituição. As câmaras mostram Severiano Teixeira. Um político esmerado. Um pau-mandado nessa grande farsa que se chama a intriga constitucional.

14 Comments:

  • At 8:40 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Um pungente e mortalmente aborrecido "enfim" para Soares. Já não há paciência...

    André Couto

     
  • At 9:32 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Assisti, há pouco, num dos noticiários de TV, aos semblantes carregados e palavras solenes, de dois cadidatos e o porta-voz da campanha do MS.
    Parece haver unanimidade quanto à entrevista de Cavaco Silva ao JN.
    Houve violação da Constituição, por parte de Cavaco Silva. Haja visto que a essência da sua sugestão não compete ao Presidente, mas sim ao Governo.
    Querem lá ver que ocorreram as Eleições e eu não me apercebi...

     
  • At 10:04 da tarde, Anonymous anti-esfinge said…

    Se os Cacaquistas estão a "perder" tantas linhas com o tema é porque estão preocupados, ou não?

     
  • At 10:20 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    http://dn.sapo.pt/2004/12/07/tema/nao_acredito_eternidade_o_fica_mim_e.html


    u considerava-me marxista-leninista. Depois deixei de me considerar leninista e passei a considerar-me só marxista.

     
  • At 10:22 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Sei que o percurso não foi brilhante.

    Medíocre. Nunca chumbei, nunca fui um aluno que passasse do 12, 13, no sétimo ano fui um bocadinho mais acima. Na Universidade, a mesma coisa. Em Letras tive aqueles desaires todos, Direito fiz de seguida porque só ia lá fazer exames.

     
  • At 11:13 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Os elevados níveis de desemprego que se registam em Portugal representam, para centenas de milhar de famílias, precaridade de condições de vida, angústia, e a percepção de um futuro incerto.

    Não se pode ignorar a dimensão social desta realidade e esperar, passivamente, que a conjuntura se inverta para que ela se altere. É necessário desenvolver políticas activas que propiciem, quer o desenvolvimento económico, quer a diminuição da exclusão social.

    É indispensável melhorar a produtividade e a competitividade da economia, para aumentar o crescimento económico e o emprego, tal como é necessário controlar o crescimento da despesa pública e aumentar a eficácia fiscal, para assegurar a sustentabilidade das finanças públicas.

    Portugal necessita, inadiavelmente, de mais crescimento económico e de melhor consolidação orçamental, sabendo-se como uma e outra estão relacionadas. Por um lado, porque a urgência da consolidação orçamental não pode ignorar a importância do crescimento económico, que também ajudará a reduzir o desequilíbrio das finanças públicas; por outro lado, porque a dimensão do actual défice público limita a possibilidade de utilizar a política orçamental para estimular a economia e promover o crescimento económico.

    É preciso conter criteriosamente a despesa pública corrente e combater eficazmente a evasão fiscal. Só assim se poderá ganhar margem de manobra para evitar que se sacrifiquem indevidamente despesas sociais necessárias e poder realizar investimentos públicos indispensáveis para melhorar a capacidade produtiva do País. Investimentos em investigação, inovação, desenvolvimento tecnológico e qualificação de recursos humanos, ou seja, investimentos nos novos factores de competitividade. Investimentos que não visem estimular artificialmente a economia mas que sirvam, sim, para melhorar a nossa estrutura produtiva e permitir uma sólida recuperação económica.

    Só assim, prestando atenção à economia sem descurar as finanças, se poderá ir ao encontro das legítimas aspirações do País, combater o desemprego e a exclusão social, garantir a convergência real com as economias europeias mais desenvolvidas, melhorar, em suma, as nossas condições de vida e reforçar a segurança económica e a confiança dos portugueses.

    Recordo aqui as recentes palavras do Governador do Banco de Portugal: “ A necessária consolidação orçamental não está concluída e tem que continuar a ser prosseguida. Este objectivo é muito exigente, quer este ano quer no próximo, face ao crescimento económico que se antevê.

    Não existe, assim, margem para programas adicionais de aumento de despesas, nem para reduções de impostos que não sejam compensadas por equivalente diminuição de despesa.”

    Esta é e sempre foi, Sr. Primeiro Ministro e Senhores Ministros, também em minha opinião, o único caminho que permite a necessária consolidação orçamental nas actuais circunstâncias da economia portuguesa.

    A conjuntura nacional, bem como o delicado contexto internacional, impõem ao governo uma particular lucidez nas políticas e um rigor na gestão governativa, tal como aconselham a realizar obra consistente e estruturante da solução dos problemas.

    http://www.presidenciarepublica.pt/pt/cgi/noticias.pl?ver=discursos&id=1112

     
  • At 11:30 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Inicia-se então nova fase - mais conflituosa - da coabitação. O Presidente Soares não mais podia ser reeleito e fora-o por uma enorme margem - e não já os 2% de 1986 - estava portanto menos condicionado nas suas acções de "árbitro". A conjuntura degrada-se, a economia resvala para a recessão, e as tensões sociais crescem culminando no gigantesco protesto, na Ponte 25 de Abril, conhecido por "Buzinão" (Junho de 1994). O XII Governo Constitcional reage com reafirmações da sua autoridade face ao que considera como formas ilegítimas de a pôr em causa. Enquanto o Presidente Soares afirma haver sintomas de preocupante governamentalização. Por sua vez, quando o Presidente da República veta, ou envia ao Tribunal Constitucional legislação sensível - e.g. Lei dos Disponíveis (Junho de 1992); leis dos Despedimentos e do Asilo (Agosto de 1992) - isso foi visto e denunciado pelo PSD como uma forma indevida de bloqueio na esfera de acção própria do Governo. Mas, a popularidade de Mário Soares nas sondagens, sofrendo uma certa queda, manteve-se sempre elevada, ao contrário da do primeiro-ministro e do Governo.

    Acusações de interferência partiram também do interior do próprio PS. Mário Soares foi referido por Vítor Constâncio (Outubro de 1988) aquando da sua demissão de secretário-geral, como tendo posto em causa a sua autoridade no interior do partido. E o seu patrocínio, em 1995, ao congresso "Portugal que Futuro?" levou a acusações de estar a pôr em causa quer o Governo, quer o então secretário-geral do PS, António Guterres, tentando alegadamente pressionar este último, para que adoptasse uma estratégia de frentismo de esquerda.

    Também mereceram críticas, o que alguns consideraram ser, o excessivo número e aparato das suas viagens ao estrangeiro, no entanto invariavelmente um sucesso mediático. Críticas aliás contrabalançadas por outras ao não aproveitamento do seu prestígio externo pelo Governo.

     
  • At 12:48 da manhã, Anonymous Anónimo said…

    De facto, este país é muito triste. triste pelos candidatos que tem e mais triste ainda pelo que dizem os que deveriam ser os mais responsaveis. Se Cavaco for eleito não será mais do que a cereja no cimo dessa tristeza.

     
  • At 2:46 da manhã, Anonymous Anónimo said…

    Assis Pacheco, seu colega de Letras, qualifica-o de "asno"...
    mmartins

     
  • At 12:29 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    ..."Se os «Cacaquistas»estão a "perder" tantas linhas com o tema é porque estão preocupados, ou não?"...
    É verdade, estão preocupados ao verem como são extrapolados os limites do bom-senso e da seriedade.
    É verdade, estão preocupados ao verem que o PS, MS e papagaios da sua $campanha$, já elegeram Cavaco Silva e, disso, não deram conhecimento ao pessoal.
    Como é...? Jogo sujo...?

     
  • At 2:39 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    À falta de assunto, arranja-se um caso! Eu até penso que PM agradece a sugestão! Evita-se novo caso Autoeuropa e os louros são para o Governo e sus muchachos.

     
  • At 3:23 da tarde, Blogger Tiago Alves said…

    Realmente talvez não se devesse perder tanto tempo com isto. Mas não deixa de ser bom, por via "dos pontos nos is".

     
  • At 11:21 da manhã, Blogger LdV Contribuinte said…

    É óbvio concluir também que a manipulação eleitoralista da política económica exercida até aqui constitui a maior força de bloqueio do crescimento económico em Portugal.
    Portugal carece, portanto, de uma política séria de médio e longo prazo.
    (...)

    Alfredo de Sousa, Linda-a-Velha, 94.05.01

    comunicação (penso que) apresentada no congresso Portugal: Que Futuro?, organizado por próximos de Mário Soares, então Presidente da República, quando Cavaco Silva era o primeiro-ministro.


    # posted by Aprendiz : 02:16
    Comments:
    Alfredo de Sousa tinha razão. Cavaco Silva e todos os primeiros ministros governam com um olho nas sondagens e outro nos interesses pessoais. Mas os ciclos eleitorais portugueses são agravados por um sistema politico que promove a instabilidade e a irresponsabilidade. O problema é causado em parte pelo método de Hondt que promove a fragmentação dos votos,e o facto de haver 3-4 eleições em certos anos como 2005. Estamos permanamente em campanha eleitoral, agora autarquica, agora legislativa, agora presidencial, agora europeia ou até um referendo. Nenhum pais podia ser bem governado bem nestas condições.

     
  • At 3:32 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    That's a great story. Waiting for more. »

     

Enviar um comentário

<< Home