Pulo do Lobo

domingo, novembro 27, 2005

O Leopardo

No Super-Mário voltam à carga com a kulturkampf, supondo que isso traz votos a Soares. Não traz, já se viu, mas o João Pinto e Castro insiste que o Presidente da República deve ser "culto" para poder falar com outros chefes de Estado ao almoço, enquanto o Ivan acusa Cavaco de se dar ares por falar do que (não) lê e de mentir (!) quando diz que votou na CEUD em 72.
A gente pasma com estas coisas.
Não tanto com a vocação inquisitorial dos herdeiros do jacobinismo. O exemplo vem de cima. Não foi Soares quem disparou a tirada "nós, os socialistas, que estamos aqui com as nossas legítimas mulheres" para atacar Sá Carneiro? Foi.
O problema não é esse, já estamos habituados. O problema é que eu tenho aqui umas linhas em que o pai da Pátria cita confusamente "uma personagem de Tomazi di Lampedusa no célebre filme de Visconti, O Leopardo" (O Que É Governar à Esquerda?, Gradiva, 1997, p. 12). Se eu não soubesse que Soares é culto, cultíssimo, culto acima de toda a suspeita, quase diria que ele não leu o livro e só viu o filme. Quase. Porque um homem que conhece Os Lusíadas não precisa de se dar ares. Já o estou a ver, no próximo encontro com os representantes das religiões, a contar a vida de Jesus Cristo, uma personagem daquele filme do Pasolini, o Evangelho.

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