Pulo do Lobo

terça-feira, janeiro 17, 2006

Cavaco e os partidos

Alguma esquerda gosta de invocar uma suposta aversão de Cavaco pelos partidos. É verdade que, desde o 25/4, de todos os líderes partidários (de todos os partidos), Cavaco é o político português cuja trajectória mais foi conduzida de fora para dentro (do partido), e não do partido para fora. Nesse sentido, pode dizer-se que Cavaco nunca manifestou grande simpatia pela chamada "vida (interna) partidária". Esse certo distanciamento de Cavaco não se confunde, no entanto, com uma qualquer aversão ao papel dos partidos no regime democrático português.
Mas o que não tem sido salientado é que esse distanciamento, nomeadamente em relação ao seu próprio partido, dá a Cavaco uma autoridade para o exercício do cargo de PR que os outros candidatos não têm (nomeadamente Soares e Alegre): com Cavaco em Belém, Marques Mendes pode, ele também, "dormir descansado", já que Cavaco não andará a conspirar contra a sua liderança, ao contrário do que Soares fez a Constâncio (e, com o congresso "Portugal, que Futuro", também a Guterres).

2 Comments:

  • At 5:10 da tarde, Blogger Boris said…

    "o 25/4"...
    Boa...
    E canta "Grândola"?...

     
  • At 3:44 da tarde, Blogger andarilho said…

    Não conspira como nunca terá a tentação de querer fundar um partido político para inverter a lógica do sistema em seu benefício. Joga por fora e isso pode garantir-nos alguma estabilidade e tranquilidade. As notícias económicas sobre a performance da economia portuguesa não são tão más como se adivinhava (Heritage Foundation> e isso é um trunfo no diálogo inelutável entre Cavaco e Sócrates. Rapaziada do interior diríamos! Contra os falsos aristocratas de Lisboa.
    Parabéns pelo blog.

     

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