Pulo do Lobo

segunda-feira, dezembro 12, 2005

O alcatrão também qualifica

O actual frentismo anti-Cavaco ressuscitou a ideia vulgar (no sentido quantitativo e qualitativo do termo) de que os seus governos serviram apenas para os objectivos filistinos do betão e do alcatrão. Diz-se que os fundos europeus deveriam ter sido aplicados mais na qualificação dos portugueses do que na rede viária que então se começou a construir. Se calhar. Mas os termos em que a questão é colocada e o tom de superioridade intelectual com que o argumento é lançado mostram que quem dele se vale esquece o essencial. O encurtamento de distâncias é, de facto, fundamental para o desenvolvimento, não só da economia, mas também das mentalidades. Eu percebo que as pessoas de Lisboa vejam na afluência à sua cidade de tanta gente inculta e sem maneiras um perigo semelhante ao das invasões bárbaras - foi por isso, como diz um amigo meu, que se construiram grandes centros comerciais nas várias entradas da cidade (Almada, Expo, Benfica, Odivelas, etc.), que impedem os jagunços de frequentar as belas avenidas do centro. Percebo. Mas também esperaria de alguns que percebessem a diferença para o espírito entre um dia ou duas horas de viagem até Lisboa.

9 Comments:

  • At 6:49 da tarde, Blogger Gary Freedman said…

    Greetings from the USA.

     
  • At 7:36 da tarde, Anonymous Joyce said…

    O meu amigo é melhor a por música do que a trabalhar com uma betoneira!

     
  • At 12:10 da manhã, Anonymous Anónimo said…

    Meu caro Francisco:
    A ideia que a galeria Zé dos Bois e o Lux são o supra sumo da vida cultural Portuguesa são paleio de beirão complexado.
    Para Viseense é curto.

    um abraço

    Afonso

     
  • At 11:01 da manhã, Blogger Francisco Mendes da Silva said…

    Meu caro Afonso,

    De onde retiras tu que eu disse isso? Se eu fosse de Lisboa, escreveria exactamente o mesmo, mas the other way round.

     
  • At 2:09 da tarde, Blogger jMAC said…

    realmente, só quem não se lembra das estradas miseráveis da lusa pátria nos eighties (em raccord com a pop de então), só pode classificar a "política do betão" como uma catástrofe. desconfio que essas luminárias cirandassem entre o Frágil-guida-gorda e a moda-lisboa de tão pós-modernos que éramos!...

     
  • At 10:10 da tarde, Anonymous Henrique Trindade said…

    Caro Francisco Mendes
    Alegres saudações!

    Sou um dos que consideraram desde o início que a política de Cavaco Silva, enquanto Primeiro-ministro, abusou do betão e do alcatrão.

    Nunca o expressei em público porque, sendo uma questão polémica face ao hábito dos portugueses só verem o presente – os empregos que tal coisa deu, e tão pouco duraram – sabia que iria “chover no molhado” da multidão de críticas que já lhe faziam, nem sempre com os argumentos mais adequados.

    Teria estado de acordo com a necessidade da modernização da rede viária – e até com algumas obras de outro tipo – se a mesma tivesse sido feita de modo mais consentâneo com as restantes necessidades do País.

    Só que C. Silva não soube ver que, aproximar o Interior do Litoral e o Norte do Sul com estradas mais modernas sem acompanhar isso de uma requalificação das zonas mais atrasadas – tanto no aspecto cultural como no campo económico – em lugar de enriquecer as zonas novamente ligadas aos centros mais ricos, as empobreceu tanto do ponto de vista demográfico como económico.

    Falou então nos benefícios para o futuro – estão à vista, com escolas a serem fechadas por todo o território devido à pura e simples falta de crianças (os velhos que ficaram já não faziam mais!), aldeias inteiras ao abandono… – encapotando com isso a ideia de conseguir mão-de-obra barata para os potentados económicos que como é evidente estão nos confortáveis grandes centros urbanos.
    De facto, o fomento do seu candidato, enquanto Primeiro-ministro, foi o fomento do desemprego.
    O desemprego por excesso de concorrência!
    O desemprego por falta de formação técnica!

    Fomentou também o despesismo – à sombra de uma aparente abertura económica – que acabou quando acabaram as tais obras – uma atitude virada para o presente de então, com evidentes entradas em caixa de impostos que permitiam continuar pelo mesmo rumo, não uma visão de futuro!

    O discurso – curto, curtíssimo, quase ausente – que tem feito nesta campanha, baseia-se essencialmente na sua obra como Primeiro-ministro.
    Nas excelências das estradas – as mais delas mal concebidas (pelo menos em termos do desenvolvimento do Interior Profundo) – que deixou.

    Na visão macroeconómica, toda virada para o apoio a um tipo de globalização onde só contam os lucros económicos, esquecendo os aspectos sociais e culturais (os futuros, que não os do tempo que corria, claro!) e alienando a esse apoio todo o futuro do País.


    Nesta altura do meu já longo discurso, se ainda não percebeu que lhe fala um apoiante de Manuel Alegre também não percebeu mais nada.
    Deixe que lhe diga algo a meu respeito:
    – 1.º - Não sou filiado em qualquer Partido (são cacos!) o que me deixa toda a liberdade de dizer de minha justiça sem fazer favores a ninguém.
    – 2.º - Sou formado em História com forte frequência de cadeiras de Sociologia Histórica, o que me permite uma visão mais fria da realidade que da maior parte das pessoas.
    – 3.º - Votei em C. Silva para o seu 1.º mandato como Primeiro-ministro, já não o fiz para o 2.º, nem para a primeira vez que se candidatou à Presidência da República.
    – 4.º - Não só vou votar em Manuel Alegre, como assinei – livremente – e numa escolha friamente política, como proponente dele. É O ÚNICO CANDIDATO QUE MERECE A CONFIANÇA POLÍTICA DESTE CIDADÃO!

    Henrique Trindade

     
  • At 11:02 da tarde, Blogger psac74 said…

    Caro amigo,
    Suponho que seja um daqueles que fica às portas dessa magnífica capital, detentora da 10ª Avenida
    mais rica do mundo! Afinal, não passará de um provinciano jagunço, aliás, como eu!!!

     
  • At 6:35 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Realmente um senhor que o foi, já não é ... É um Velho Senil!

    Quem votar nele só pretende o reviver o passado!

    Nós só podemos pensar no futuro! Com o Mário??? Não me façam rir!!!

    O Velho tem 81 anos! O Terror tem 67 anos! De 67 a 81 vão 14 anos!
    14 anos com a idade do Mário só os pobres de espírito é que votarão no Mário!

    Aquilo que fizeram ao Manuel Alegre não se admite!

    Ou será que querem transformar uma república numa monarquia?

    Passar dó Pai para o filho?

    Tenham vergonha!!!


    Eu prefiro votar em branco, não para dar a vitória ao Cavaco. Mas para demonstrar o meu desprezo pelos candidatos apoiados pelos partidos políticos que só fazem asneiras.

    Aumentar impostos? Qualquer burro o faz. è assim que se governa um país?

    Os deveres têm de ser a nível europeu (impostos, reformas, seguros etc.. Estamos dentro da média europeia.

    E O resto? Vencimentos? Saúde? Impostos? Direitos?

    Só daqui a 100 anos, na melhor das hipóteses é que estaremos equiparados`a Europa!

    Não brinquem com o Zé Povinho!!!

    Por isso Votem votemos todos em BRANCO!!!

     
  • At 9:04 da tarde, Anonymous Henrique Trindade said…

    "Eu prefiro votar em branco, não para dar a vitória ao Cavaco. Mas para demonstrar o meu desprezo pelos candidatos apoiados pelos partidos políticos que só fazem asneiras." (Anônimo - 6:35 PM )


    Este comentário de alguém COM MEDO DE DAR A CARA, mostra dois factores básicos da actual população portuguesa:

    - MEDO DA PRÓPRIA SOMBRA, os portugueses portavam-se com mais hombridade no tempo da famigerada PIDE!
    - CEGA ESTUPIDEZ, há um candidato que não é apoiado (antes pelo contrário!) pelo seu partido:
    MANUEL ALEGRE!

    Alegres saudações,
    Henrique Trindade

     

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