Pulo do Lobo

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Desastre

Na "Quadratura do Círculo" de ontem, Jorge Coelho afirmou que o tom e a substância dos ataques pessoais de Soares a Cavaco são perfeitamente aceitáveis num contexto de campanha eleitoral e que, quando eleito (?!?!?!), aquele será de novo o presidente de todos os portugueses. Esta espécie de argumento, entoado até com uma tibieza que lhe não é de todo típica, foi o melhorzinho que Coelho, o primus inter pares dos contorcionistas da "análise" política, capaz de defender o indefensável e explicar o inexplicável, conseguiu arranjar. As coisas estão a correr mesmo muito mal.

4 Comments:

  • At 12:49 da tarde, Anonymous cris said…

    Acho muito pior o sarcasmo escondido de Cavaco , que diz coisas como quem nao as diz , do que ataques directos

    frontalidade é bom
    agora mandar coisas para o ar, fechando os olhos como carneiro mal morto, sorri e dizer coisas "eu é que estudo os dossiers" "eu é que sou homem de palavra" " eu estivbe a ser interrogado por 3" " eu nao quis ser deselegante" "ele já foi pr e eu tenho de o respeitar por isso"

    Acordem, o malcriado é o outro!

     
  • At 1:57 da tarde, Blogger Torquato da Luz said…

    A charlatanice, em política como no resto, pode compensar durante algum tempo, mas não compensa durante todo o tempo. Por isso mesmo, Coelho, depois de mais uma derrota em Janeiro próximo, irá certamente descansar, deixando de incomodar-nos. Vocês "hadem" ver...

     
  • At 2:41 da tarde, Blogger RuiRomano said…

    Pelo menos o José Magalhães tinha mais classe na defesa do indefensável. O Jorge Coelho não é primus inter pares de nada, ele mais parece é filho de um par de primos direitos consanguíneos.

     
  • At 4:37 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    (Texto publicado na "Grande Reportagem" em Abril de 2002)
    O PRESIDENTE QUE GOSTAVA DE JORNALISTAS


    "As presidências abertas foram construídas para dar visibilidade ao dr. Soares e para desgastar Cavaco Silva", diz Estrela Serrano em declarações à GR.
    A hoje directora do departamento de jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social descreve a assustadora homogeneidade com que os repórteres seguiram sem desvios os temas e enquadramentos propostos pelo chefe de Estado nessas campanhas, mesmo quando elas se transformaram num combate indisfarçável ao governo legítimo da nação duas vezes eleito por mais de 50% dos votos.
    O principal garante do respeito pelo escrutínio popular patrocinava assim manifestações e protestos que se desenrolavam a par e passo das suas cerimónias oficiais enquanto presidente da República, com improvisações organizadas e bandeiras negras que emergiam por entre o normalíssimo funcionamento das instituições democráticas e sem ameaça visível no horizonte para além do ruído mediático acerca de uma misteriosa ‘ditadura da maioria’ que ninguém percebia onde é que estava.
    Esta lógica alcançou o auge na peregrinação à volta da Área Metropolitana de Lisboa, entre 30 de Janeiro e 15 de Fevereiro de 1993, um ano e três meses após a segunda maioria absoluta do PSD e num ambiente em que a guerra entre Belém e S. Bento atingia proporções de comédia com a hipótese de dissolução da Assembleia da República.
    Ao longo de duas semanas agricultores, estudantes, moradores, sindicalistas, desempregados, ambientalistas esperavam Soares e este era informado com antecedência da sua presença.
    Os assessores alertavam os jornalistas para não perderem esses momentos, a segurança encarregava-se de lhes abrir passagem até junto do primeiro magistrado da nação e este não iniciava os seus discursos sem estar rodeado dos repórteres. O staff presidencial combinava encontros informais entre o chefe de Estado e os media e se os enviados dos órgãos de comunicação social considerados mais influentes não solicitavam uma conversa privada com o inquilino de Belém eram os assessores que tomavam a iniciativa de a sugerir para se certificarem de que a perspectiva do jornalista não era desfavorável a Soares.
    "A proximidade e o convívio existente entre os jornalistas que acompanhavam o Presidente e os assessores permitiam que estes se apercebessem das reacções dos jornalistas a determinados eventos ou palavras do Presidente e o informassem de que era necessária uma sua intervenção no sentido de um enquadramento favorável, que surgia então como natural", escreve Estrela Serrano.
    Soares começava o dia a ler o Diário de Notícias e o Público e de 24 em 24 horas era informado pelo seu staff da cobertura total que estava a ser feita. À hora dos principais telejornais a caravana parava, mas quando isso não acontecia a equipa do chefe de Estado gravava-os em vídeo para serem vistos à noite de modo a avaliar o impacto dos acontecimentos e se fosse caso disso introduzir correcções de estratégia. "A leitura dos jornais e o facto dos autores das notícias se encontrarem quase permanentemente junto do Presidente e dos assessores facilitava o controle de desvios ao discurso oficial", escreve Estrela Serrano..."


    (nota-Estrela Serrano era assessora de imprensa do presidente Soares)


    crsdovale

    posted by Minha Rica Casinha @ 00:08

     

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