Pulo do Lobo

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Ao ataque!

Hoje de manhã, na papelaria onde compro os jornais, estava à minha frente um cliente indignado a barafustar com um outro cliente ao lado. Queria saber porque é que o outro ia comprar a Scientific American e porque é que estava vestido de azul. O outro lá lhe ia respondendo, cordatamente, que gostava de ler a revista – que tinha um artigo muito interessante sobre a neurobiologia do Eu, matéria que explicou brevemente - e que apreciava supimpamente o azul. “A neurobiologia do Eu não serve para nada! A quem é que o senhor quer enganar?” Enquanto isto, a fila de clientes ia aumentando. “Ele lê a Scientific American!", dizia o cliente irado para o dono da papelaria. “Quer saber porquê? Porque ele – e sublinhava ele - é inculto! Aliás tenho amigos que já me disseram isso dele. Não digo quem para não parecer deselegante.” A coisa continuou, com o cliente agastado interrompendo o outro que pedia ao homem da papelaria um caderno: “Explique lá o que é que é isso de um caderno?” O homem da papelaria estava perplexo, mas arranjou maneira de me atender a mim e aos outros clientes. O que, de resto, foi facilitado pelo homem irritado, que confessou que naquele momento não queria comprar nada: talvez amanhã, se o outro também lá estivesse. Mais: exigiu que o outro amanhã lá estivesse. À saída, toda a gente estava de acordo: o homem da Scientific American estava à defesa, o outro ao ataque. Confesso que não percebi bem: o homem irritado não disse uma única palavra sobre a neurobiologia do Eu, excepto que não servia para nada. Defesa? Ataque?

6 Comments:

  • At 11:37 da manhã, Blogger Tonibler said…

    Muito bom...eheh

     
  • At 12:53 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    É preciso ter azar apanhar com o Mário soares na fila logo de manhã é pronucio de um dia negro.

     
  • At 4:27 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Ó tunhas, tem lá paciência mas não percebes patavina.

     
  • At 4:28 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    é pronucio, é.

     
  • At 5:51 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    desculpe: disse prepúcio?

     
  • At 8:03 da tarde, Anonymous Free Lancer said…

    Óh Tunhas tens cá uma linha de pensamento tão rebuscada e confusa que espremida só dá "palha",de facto consegues ser ainda muito menos convincente do que o teu herói de Boliqueime.
    Bem sabemos que depois da notável performance televisiva do "avô Marocas", o "choque traumático" dos apaniguados de Cavaco foi tão grande que a "ressaca" ainda vai durar algum tempo.
    E então assistimos a algumas tentativas frouxas de reacção, todas elas refugiando-se numa tentativa de vitimizar o homem honesto, rigoroso, impoluto que não merecia aqueles "ataques pessoais", perdão, aquelas críticas de natureza política, isto porque, segundo a sua lógica de marketing, Cavaco não é político, logo, todas as críticas que lhe são feitas são ataques
    pessoais.
    E então resta-lhes contar umas estorietas confusas como esta do Sr. Tunhas, que hipoteticamente pretenderia ser uma "charge irónica" ao debate televisivo.
    Mas o resultado foi desastroso, sem criatividade, sem graça, careca de ideias!
    O Francisco M. Silva retomando a linguagem do pugilismo, reconheceu a derrota por KO de Cavaco, mas adoça a pílula esperando que a vitimização resulte na compaixão da "rapariga", leia-se o "povo", que com pena do "desgraçadinho do vencido" acaba por preferir ficar com ele.
    Este Silva (Francisco)pelo menos tem alguma imaginação e até consegue extrair uma moral para a sua história, embora esta moral seja um pouco duvidosa, porque na maioria dos casos a "rapariga" quer ficar com o vencedor.
    Depois temos um Picoito(Pedro) que não se sentindo particularmente inspirado com a "frouxa " performance do seu candidato, resolveu fazer uma deriva estratégica muito elucidativa da sua desilusão, recuando duzentos anos no tempo, para mergulhar num politicamente adstringente, higiénico e retemperador banho de cultura, o que só lhe fica bem .
    Depois deste debate já não há jantares suficientes que cheguem para convencer a sua mulher a votar em Cavaco Silva.
    Melhores razões terá ela agora para votar sim no Manuel Alegre, e poderei até arriscar um palpite :
    Não será por acaso que o Pedro escolheu citar o grande poeta Bocage ?
    Não será porque afinal foi ela que o convenceu agora a votar noutro grande poeta : Manuel Alegre?
    Por vezes o amor suscita surpresas inimagináveis e contraditórias !
    Mas não gostaria de deixar de felicitar o JCD, que, também desarmado e rendido à evidência dos factos, teve pelo menos o grande mérito de divulgar à comunidade bloguística uma excelente selecção de citações sobre o debate Cavaco- Soares.
    Sobre a recomendação prévia de que deve ser evitada a sua leitura em locais públicos, só pode ter a ver com a "estratégia do Silêncio" adoptada pelo staff de Cavaco Silva.
    Entretanto o Circo já está na Rua e vamos ver no fim qual é o "palhaço" que ri melhor !
    Já só faltam 32 dias para se saber

     

Enviar um comentário

<< Home