Pulo do Lobo

domingo, novembro 13, 2005

Porquê Cavaco?

Desde logo, porque Portugal precisa de um Presidente da República. Precisa de um Presidente sério, de um Presidente a sério. Alguém que seja motivado pelo verdadeiro interesse colectivo e que não se guie por caprichos, birras ou autismos protagonistas, próprios de “rei-sol” ao entardecer. Alguém que conheça a realidade das coisas, os problemas dos nossos dias, a situação actual do nosso país. Alguém que não se compadeça nem pactue com o “deixa-andar” dos falsos “humanismos”, que não são mais do que eufemística expressão de um nacional-porreirismo bacoco e facilitista, que assenta, de facto, no conhecimento de nada sobre tudo e de tudo sobre nada, enfim na capacidade de, a la lampedusa, tudo ir fazendo para que tudo fique na mesma. Alguém que tenha experiência de vida e de realização, na vida pública e fora dela, alguém a quem se reconheça a capacidade para trabalhar, de forma profissional e competente, no exercício do importantíssimo papel presidencial. Alguém que acredite em Portugal, nos portugueses e na nossa capacidade de, com liderança e organização, construir um país mais moderno, mais eficiente, um país melhor.

3 Comments:

  • At 3:16 da tarde, Blogger AMN said…

    Concordando com o facto de que essa deve ser a ideia implícita da campanha de Cavaco, parece-me perigoso que seja esse o caminho expresso de uma argumentação pró-Cavaco, o que contraria, até, a mestria com que a camoanha de Cavaco tem sido conduzida.

     
  • At 4:21 da tarde, Blogger RAF said…

    Um excelente post, caro Rafael.

    Bem-vindo às lides blogosféricas!

    Rodrigo Adão da Fonseca

     
  • At 5:14 da tarde, Anonymous Klank said…

    «O Presidente de Portugal é, tão somente, o representante do país no estrangeiro, o cicerone que acolhe os outros estadistas e lhes mostra os jardins do Palácio, uma figura simbólica que levanta o pescoço e semi-cerra os olhos durante o hino nacional, dono de sotaque firme quando comenta questões generalistas numa qualquer língua estrangeira, em conferências e cimeiras internacionais, para parecer tudo menos subserviente.

    Assim, e uma vez que não somos uma Monarquia há orgulhosos anos, quer-se do Chefe de Estado português que tenha bom aspecto e vista bem, seja prolixo e culto, viajado e reconhecido, simpático mas respeitado. Queremos ainda que saiba exercer os poderes que lhe são constituídos, dissolvendo o parlamento em casos extremos - se aparecer um novo Santana Lopes, por exemplo - declarando a nossa participação numa guerra, vetando leis que lhe pareçam absurdas.

    Ora, Cavaco Silva, o homem que hoje quebrou o tal do tabu nº2, qual D. Sebastião que aparece do nevoeiro ao fim de séculos, é o oposto de tudo isso:

    - Tropeça em palavras que decorou durante anos a fio, mesmo em frases com nada mais que sujeito, predicado e complemento directo.

    - Limpa com a própria mão, de dedos bem destacados, a baba que se acumula nos cantos da boca durante o discurso.

    - Come de boca aberta - seja bolo-rei ou qualquer outra coisa que se mastigue.

    - Consegue dar a sensação que dormiu e acordou dentro daqueles fato, gravata, meia branca e risco ao lado.

    - Tem um sorriso tão natural como o do elefante que toca o sino no Jardim Zoológico, quando se lhe atira uma moeda.

    - Sabe a raiz quadrada de 56.342, mas não esconde não fazer a mínima ideia quantos cantos têm Os Lusíadas e muito menos saberia citar um qualquer poema de Fernando Pessoa, quanto mais saber o nome de um autor estrangeiro.

    Dito isto, por muito má que a minha memória seja, bastou uma tarde inteira a ver nas televisões, os encontrões dados pelo grupo de seguranças de Cavaco aos jornalistas [que apenas queriam dar-lhe colo], para me recordar dos tempos das Forças de Bloqueio e de leis como aquela que obrigava todo e qualquer português a ter sempre o B.I. consigo, mesmo que fosse só ao café da esquina, arriscando-se a passar a noite na prisão até que fosse identificado. Sim, foi Mário Soares quem vetou essa lei... na frescura e irreverência naturais dos seus 70 anos.»

     

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