Pulo do Lobo

sexta-feira, novembro 25, 2005

OTA: a opinião de Cavaco Silva

Cavaco Silva explicou de forma cristalina por que é que ele – e sugerindo que talvez também Governo – não pode ainda ter uma resposta em relação à proposta de um novo aeroporto para a Ota. Faltam os estudos que comparem os benefícios sociais com os custos sociais do projecto. É claro que sem isso o que temos são opiniões. Mas as boas decisões não devem basear-se em opiniões.

9 Comments:

  • At 4:28 da tarde, Anonymous André Carvalho said…

    Desde que o actual governo socialista anunciou a sua determinação em avançar com os projectos Ota e TGV, começaram, imediatamente, a ser levantadas uma série de questões [bastante] pertinentes pelos mais diversos sectores socioprofissionais e político-económicos no que concerne à exequibilidade destes dois projectos multimilionários.

    Apesar de tudo, é consensual na nossa sociedade que o investimento público é algo de necessário e até benéfico para o desenvolvimento do país. No nosso caso, esta necessidade/utilidade ganha acrescida importância, pois, o nosso sector privado, tirando raras mas honrosas excepções, é [infelizmente] iníquo.

    Contudo, considerando o estado lastimável em que se encontram as nossas finanças públicas, e o esforço adicional a que já estão a ser sujeitos a generalidade dos contribuintes, este Executivo não se pode dar ao luxo de decidir avançar para investimentos desta monta por “obra e graça do espírito santo” sem qualquer esforço na procura de um consenso o mais alargado ao nível político-social, e sem se apoiar em estudos de viabilidade credíveis e num processo transparente para todos os intervenientes, com especial ênfase na elucidação dos contribuintes/eleitores que vão ter de andar a pagar esta factura durante largas dezenas de anos, período este, que excede amplamente a legislatura deste governo.

    Convém não nos esquecermos que mesmo em [relativos] fiascos como o Euro 2004 e a Expo 98, os governos da época, procuraram sempre com sucesso um necessário consenso nacional alargado.

    Nos casos da Ota e do TGV teremos, no entanto, de tentar aprender com os erros do passado recente e ter a coragem de não avançar (também é preciso ter a coragem para não se avançar) ou de arranjar outras alternativas, caso uma cuidada analise custo/benefício (não somente financeira mas também social/ambiental, etc.) não dê mostras de uma inequívoca satisfação do interesse nacional.

    O mais estranho em todo este processo é, que mesmo em situações bastante mais favoráveis de disponibilidade financeira pública e privada, nunca nenhum outro governo democrático, no passado, avançou para projectos de dimensão semelhante sem procurar consensos político-sociais mais alargados. A julgar pela forma como vem gerindo estes dois projectos, parece-me evidente que para José Sócrates, a Democracia não passa de uma Ditadura da “Maioria”.

    Caso o actual Executivo insista nesta misteriosa via, só me resta passar a engrossar as fileiras daqueles que publicamente afirmam que nos encontramos perante um “caso de polícia”, onde, alguns poderosos e obscuros interesses [individuais] económico-financeiros se estão a sobrepor, indevidamente, aos reais interesses [colectivos] da Nação.

    O próximo Presidente da República irá ter uma importantissima palavra a dizer nestes casos cujas implicações se irão refelectir nas gerações futuras e que excedem amplamente o periodo de legislatura deste governo.

     
  • At 6:40 da tarde, Anonymous armando99 said…

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  • At 6:40 da tarde, Blogger Armando Fernandes said…

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  • At 8:09 da tarde, Anonymous José Costa said…

    A propósito de mais uma "não opinião" do candidato Cavaco Silva neste caso sobre a OTA e o TGV recordo ao Sr. André Carvalho alguns factos inegáveis, a saber:
    1º. Ao contrário dos outros países da União Europeia, Portugal é ainda o único que não está ligado às redes de alta velocidade, não obstante ser talvez aquele que mais necessita, dada a sua situação periférica.
    Esperar mais tempo para integrar essas redes é ficar ainda mais no pelotão de trás da União.
    2º. A sua situação periférica por outro lado pode potenciar a construção de uma plataforma continental de transportes aéreos provindos dos países da América do Norte e do Sul, sob pena de a Espanha o fazer naturalmente na nossa ausência de iniciativa.
    Perante estas duas realidades que podem ser vitais para a nossa sobrevivência como país viável a médio e longo prazo, continuamos a ouvir os "velhos do Restelo" habituais, sendo certo que muitos deles não são tão habituais como isso, como por exemplo os cérebros iluminados do PSD.
    Que eu me lembre foi no consulado de Cavaco Silva, através do então ministro Ferreira do Amaral que foi tentado o 1º. arranque com estes dois projectos, os quais constaram das agendas de algumas cimeirasluso-espanholas quando ainda era 1º. ministro de Espanha Felipe Gonzales, mas pelos vistos à semelhança da regionalização e das tão faladas e sempre adiadas reformas estruturais, parece que foram "empatadas", conforme confessa Cavaco Silva na sua 2ª. Autobiografia, citada a propósito pelo seu antigo ministro Miguel Cadilhe, e a que pelos vistos não foi dada grande importancia pelos nossos analistas políticos.
    Posteriormente a ideia de avançar com os dois referidos projectos foi retomada quando era 1º. Ministro A. Guterres, sendo ministro da tutela João Cravinho, mas como esse governo estava à partida "empatado" sem maioria no Parlamento, mais uma vez se gorou outra oportunidade.
    Nessa altura já os espanhóis tinham arrancado enquanto nós continuavamos a discutir "o sexo dos anjos", que é muito tìpico da nossa mentalidade tacanha.
    Curiosamente em Dezmbro de 2003, realizou-se uma cimeira
    luso-espanhola entre o 1º. Ministro Durão Barroso, chefe do governoPSD/CDS-PP e o 1º. Ministro espanhol José Maria Aznar, onde ficou acordado o arranque de quatro (4) linhas de TGV com ligações a Espanha, sendo então Carmona Rodrigues ministro da tutela, que agora também é contra.
    Entretanto o governo PSD/CDS-PP chefiado por Santana Lopes, tendo como ministro dos Transportes António Mexia, inscreveu no famoso Orçamento de Estado para este ano de 2005 ( O tal cujo défice disfarçado atingiria 6,87 % do PIB se não fosse corrigido por este governo), inscreveu dizia eu uma verba três vezes superior à destinada por este governo no Orçamento para 2006 para a continuação dos referidos projectos.
    Realmente esta política de zig-zagues de estar a favor quando se está no Governo e logo a seguir estar contra quando se está na Oposição tem custado caro ao país e os espanhóis devem-se ter rido muitonestes últimos anos todas
    estas peripécias.
    Até que finalmente na última cimeira entre Sócrates e Zapatero ficou decidido avançar com o projecto do TGV e já agora porque não também com o aeroporto da Ota.
    Mais palavras para quê ?
    De que lado estavam Cavaco Silva, Ferreira do Amaral, Durão Barroso, Carmona Rodrigues,Santana Lopes, António Mexia quando estavam nos respectivos governos?
    E já agora se deve perguntar também ao "sempre em pé"Marques Mendes, o tal que esteve em todos esses governos, e aos quais sempre sobreviveu, porquê ser contra essses projectos que defendia quando estava no governo?
    Olhe que o "céu pode~lhe cair em cima da cabeça", se por mera hipótese académica o Sr. Dr. M Mendes fôr chamado a formar governo pelo seu "idefectível" Cavaco Silva, caso este seja eleito P. R.
    Nessa altura teria acoragem de rasgar dois acordos celebrados com os espanhóis: o 1º. na Figueira,com o seu amigo Durão, sendo nessa altura seu ministro e o 2º. com esta governo de José Sócrates ?
    Responda quem quiser ou quem souber. Eu por mim estou bem esclarecido.


    Porque estão agora contra ?
    Será nais uma vez para "empatar" citando novamente Miguel Cadilhe?

     
  • At 12:45 da manhã, Blogger Grand Vizir said…

    Pois o homem que tem a responsabilidadede ter gasto milhões em obras sem qualquer retorno financeiro e que aliás se tornaram em cancro no custo da sua manutenção ainda tem o desplante de exigir mais e mais estudo spara a Ota - que era há 7 meses amenina dos olhos do seu partido?
    O homem anda a treinar par atonto ou já lá chegou?
    Ele bem sabe que a margem de investimento reprodutivo actual por parte do governo nada tem a ver com a que ele esbanjou. Trabalhava com 4 orçamentos e deixou-nos com um déficit de 8% : Remessas de emigrantes, OEG, fundos europeus e O Rectificativo. Se a isso s ejuntar o petróleoa 1/3 do custo, foi mesmo brilhante o desempenho. Foi a multiplicação dos pães, o milagre das rosas.
    Mas porque cargas d eágua temos que lhe parecer mentecaptos par aque ele nos fale dessa maneira?
    Se é tão bom porque se foi embora? Se tudo estava como agora parece exigir, porque fugiu?
    E mais um aderrotazita, nmão vai?
    Einxalá!
    Grand Vizir

     
  • At 1:42 da tarde, Anonymous André Carvalho said…

    A propósito de mais uma "opinião" do Sr. José Costa, e para não perder muito tempo com uma pessoa que já se encontra esclarecida [ainda bem para ela]:

    1. Se a única coisa que distinguisse (pela negativa) Portugal dos outros países da UE fosse o TGV nem sequer estávamos aqui a trocar "opiniões";

    2. Se a construção de um aeroporto na Ota pode potenciar seja o que for, porque é que não apresentam os estudos que fizeram que confirmam esta "potencialização"?

    Relembro-lhe, por exemplo, que temos um Porto de Lisboa às moscas, quando [desde já] tem todas as condições [também pela sua periferia] para poder ser uma grande plataforma continental de transportes marítimos. O grande problema da facilidade do "pode" é que, com a mesma facilidade, também pode não poder.

    Quanto ao levantamento "histórico" que se deu ao trabalho de fazer, esqueceu-se de mencionar outros ziguezagues, contudo, como não é o Sr. "Historial" que vai pagar a conta, e como não tenho ligação umbilical a nenhum partido, abstenho-me de comentar os seus lapsos de memória.

    Para um homem que se diz esclarecido, como o Sr. José Costa, ou não tem o condão de saber perpassar as suas ideias através da escrita, ou então, quer guardar os esclarecimentos só para si.

     
  • At 1:46 da tarde, Blogger André Carvalho said…

    Queria aproveitar para agradecer ao grand visir o seu comentário, porque é bastante elucidativo dos argumentos [falta deles] daqueles que sem o saber porquê, estão a favor da construção de um aeroporto na Ota.

     
  • At 1:45 da tarde, Anonymous Jean D. said…

    Os apoiantes da OTA continuam um elaborado esforço para suportar aquela que será uma das maiores empreitadas nacionais desde o 25 de Abril. A obra anunciada pelo então ministro Jorge Coelho em Janeiro de 2000, apresentava uma previsão orçamental, na pior das hipóteses, de 375 milhões de contos. [http://socgeografia-lisboa.planetaclix.pt/transportes2.htm]
    Cinco anos depois, o actual governo avança com o valor de 3,5 mil milhões de Euros (700 milhões de contos) para a sua construção, quase o dobro de 2000. Repare-se que são ainda desconhecidos os custos suplementares que irão resultar do reforço das acessibilidades rodoviárias e ferroviárias. A saber: shuttle ferroviário rápido OTA-Gare do Oriente; ligação TGV; reforço da A1; construção da A13; e mais infraestruturas de acesso local.
    Não se tratam assim as críticas de um caso de "velhice do restelo", mas de legítima preocupação por uma obra que poderá vir a comprometer seriamente o futuro do país.
    Quanto a dizer-se que Cavaco Silva foi responsável por "ter gasto milhões em obras sem qualquer retorno financeiro e que aliás se tornaram em cancro no custo da sua manutenção", é mais uma daquelas reconstruções da história. O primeiro quadro comunitário de apoio destinava-se exactamente à construção de infraestruturas primárias, nomeadamente ao nível das acessibilidades. E, nesse tempo, que por sinal é o do Professor Cavaco, pagavam-se as obras públicas. É que naquele tempo ainda não se faziam SCUTS...

     
  • At 12:21 da manhã, Anonymous Anónimo said…

    That's a great story. Waiting for more. » »

     

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