Pulo do Lobo

quinta-feira, novembro 10, 2005

Isto não é um post sobre Cavaco

O apoio a Cavaco Silva é um combate cultural. Eu não me sinto muito confortável em campanhas ad hominem. Não vou em sebastianismos nem em concursos de carácter, em campeonatos de honestidade, em torneios de humanismo e erudição. Um voto em Cavaco é um voto no que Cavaco representa, contra tudo o que os outros significam.


Soares disse ontem, meio aparvalhado com a Casa da Música, que aquilo era uma maravilha e que perante aquela maravilha toda a derrapagem financeira, por muito ostensiva que seja, seria perfeitamente aceitável. Mas disse mais: que quando há ideias e os homens sonham, o dinheiro aparece sempre e a obra lá acaba por nascer (para ser totalmente pessoano, só lhe faltou dizer que é assim que Deus quer e pronto). Já todos percebemos que Soares tem aversão a merceeiros com MBAs, gente que não cita Eugénio nem lê o Nouvel Observateur. Mas com aquela atitude mental, Soares demonstra, não só um irresponsável desdém pelos problemas mais profundos que afectam a sociedade portuguesa, como um olímpico desrespeito por quem mais directamente sofre com a situação periclitante do país. Segundo o paterfamillias da Pátria, o problema dos pobres é falta de ideias. O ultraliberalismo selvagem aparece na esquina mais improvável.


Isto não é um post sobre Soares. Não é também sobre Cavaco. É sobre um combate entre mentalidades distintas, entre mundividências opostas, entre modelos de vida rivais, que em Portugal tem dado sempre o mesmo resultado. Nestas eleições, temos a opção laxista, paternalista, proclamatório-panfletária, defensora de um modelo decrépito, ideologicamente podre. E temos a opção responsável, sensata, moderna.


Corrijo: a opção é só uma.

1 Comments:

  • At 6:06 da tarde, Blogger FNV said…

    Em conversa com um amigo, numa amena noite de fim de verão, disse-lhe que Soares ganharia porque:
    a) passaria á 2ª volta
    b) uma vez lá, funcionaria a maioria de esquerda presidencial.

    Acrescentei mais tarde que pressinto que os portugueses olham para o PR como um travão, e isso beneficia em Portugal a esquerda vagamente sociológica, temerosa de reformas reais.
    Hoje tenho muitas dúvidas. Soares está a lamuriar-se demais e os portugueses gostam é que os outros os ouçam. Por outro lado, Cavaco está a utilizar muito bem um seu velho truque: fala para os portugueses por cima dos jornalistas e das provocações de Soares. Finalmente, subestimei o efeito de repetição: a corrida de Soares provoca no eleitorado que assistiu às anteriores, uma desconfortável sensação de se estar velho. E nós não gostamos nada disso.
    Boa sorte para o blogue.

     

Enviar um comentário

<< Home